BIAS FX: testamos o novo processador de efeitos de guitarra para iPad

O mais novo lançamento da Positive Grid para o iPad é o BIAS FX, app que promete reunir as melhores simulações de amplificadores e efeitos para guitarra disponíveis no iOS. A empresa foi além e anunciou também a chegada do BIAS FX desktop, versão para Mac e Windows, que já está sendo testada por diversos usuários e que deverá ser vendida ao público em breve.

Para testar o novo BIAS FX, convidei novamente o meu grande amigo e guitarrista Rafael Odon. Ele participou de diversos testes e reviews de apps e acessórios para guitarra aqui no MusicApps, como nos posts da iRig HD, Apogee Jam e iRig original. Como ele não tem contato diário com esses apps, é a pessoa ideal para passar as impressões sobre o estado dos processadores de efeito e interfaces de guitarra no iOS. A última experiência dele com os apps processadores foi com o JamUp e Amplitube antigos e a iRig HD. Desde então, muitas coisas aconteceram. Novas interfaces surgiram, os iPads evoluíram, o Amplitube foi totalmente remodelado e o BIAS FX surgiu com ótimas avaliações dos usuários. Será que realmente houve um salto de qualidade? Foi o que tentamos descobrir nesse review do BIAS FX para iPad!

Sobre o BIAS FX

O BIAS FX é um app simulador de amplificadores e efeitos para guitarra e baixo. O aplicativo chega com uma grande coleção de amplificadores, pedais e efeitos de rack. O usuário tem bastante flexibilidade para escolher o caminho do processamento do som, posicionando os pedais, amplificadores e efeitos da maneira que quiser. A interface é simples, objetiva e muito bem planejada.

Há vários modos de visualização de pedais e efeitos. Na tela de edição, organizar pedais e efeitos é bem simples.

Depois de chegar ao som desejado e salvar seu preset, é possível acionar tudo na tela dedicada ao pedal board, ou ainda contar com a tela de seleção rápida de presets. Vale dizer que o BIAS FX possui implementação MIDI completa.

Usuários podem baixar diversos presets da nuvem. Configurações de timbres estão disponíveis para download na comunidade online da Positive Grid, que pode ser acessada no próprio aplicativo.

O BIAS FX também permite processar sons de outros apps, via Audiobus ou Inter-App Audio. Outra coisa legal é poder importar e editar amplificadores no app BIAS AMP. Cada detalhe pode ser alterado em busca da sonoridade desejada.

O que utilizamos

Para os nossos testes, utilizamos um iPad Air 2 128gb, guitarra Gibson Les Paul e interface iRig Pro. Para monitorar, fones AKG K66 e dois modelos de caixas amplificadas: a compacta iLoud e as Edifier R2700.

Em teste

Vou comentar mais sobre a experiência que tivemos com o BIAS FX. Para quem estiver interessado em ouvir todas as suas possibilidades de timbres, recomendo esta lista no SoundCloud.

Começamos os testes monitorando o áudio do BIAS FX com a iLoud. A caixa compacta da IK pode ser muito útil em diversas situações por sua mobilidade. Porém, como estávamos em home studio, a melhor solução foi usar as Edifier R2700 por entregarem melhor os graves e maior potência.

Fiquei observando os primeiros minutos da experiência do Rafael Odon com o novo BIAS FX rodando no iPad Air 2. As primeiras impressões foram animadoras: nas últimas vezes que nos encontramos para fazer testes semelhantes, ele relatou alguma latência ao tocar. Também teve que investir vários minutos ajustando configurações de amplificadores virtuais e efeitos para conseguir timbres convincentes. Desta vez, nada disso aconteceu.

A latência está completamente imperceptível. O ajuste dos timbres foi bem rápido e ele não demorou a encontrar alguns presets que já soavam realmente interessantes.

Na parte da latência, provavelmente é um benefício das configurações do iPad mais novo.

Como espectador, não pude deixar de notar como a qualidade dos timbres limpos melhorou na simulações atuais, assim como as distorções soam bem mais convincentes.

Testamos diversos timbres e efeitos. Propus então um desafio: montar um timbre legal para um solo de guitarra de uma música que havia feito há poucos dias. Minha ideia original foi composta usando apenas o iPad, primeiramente gravada no Korg Gadget e com o solo feito do Geo Synth. Quando imaginei a música, minha intenção era contar com um solo de guitarra. Gravei a melodia no Geo Synth para registrar e o resultado ficou até legal. A ideia original:

O Rafael teve pouco tempo para preparar o timbre e decorar o tema. Porém, o resultado ficou muito legal!

Um pequeno vídeo registrando o momento da gravação, realizada no Cubasis para iPad, via Audiobus.

Após gravarmos, continuamos testando pedais e amplificadores. O chorus, o delay e o spring reverb do BIAS FX foram muito elogiados pelo Rafael.

Vale registrar que, em poucos minutos, ele estava dominando a interface para a montagem do som e edição dos efeitos. Um ótimo trabalho da Positive Grid… e do Rafael também :)

De forma geral, não houve nenhuma crítica ao novo BIAS FX. Tivemos apenas algumas coisas não muito surpreendentes, que cito logo mais.

Para o Rafael, é claro que ainda há diferença entre utilizar um simulador e um amplificador e pedais de verdade, talvez mais pela experiência do que pela sonoridade, já que os resultados sonoros agradaram bastante.

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Efeitos de Rack

Na minha opinião, talvez seja o que menos surpreende no BIAS FX. Quando vi que havia disponíveis efeitos de rack como Stereo Chorus, reverb digital e outros, logo pensei que eles seriam excelentes e trariam satisfação sonora instantânea quando ativados, assim como os demais efeitos. Porém, não foi assim. Antes dos testes com o Rafael, já havia me frustrado um pouco com eles e de cara tive aquela sensação de que, para soar bem, teria que fazer muitos ajustes em cada um. Mesmo com ajustes, ainda achei esses efeitos menos impressionantes que os demais.

O mesmo aconteceu em nossos testes. Quando o Rafael adicionou o Stereo Chorus e tocou as primeiras notas, deu aquela olhada novamente para o iPad, meio que conferindo se havia adicionado o efeito certo. Alguns ajustes depois, ele fez a troca pelo pedal Analog Chorus e o elogiou.

JAM UP x BIAS FX

A pergunta que mais tenho recebido: tenho o JAM UP, vale a pena investir no BIAS FX?  Minha resposta: vale sim! Os efeitos estão bem melhores. Até mesmo o volume dos amplificadores e efeitos está naturalmente maior. As novas simulações realmente soam bem e justificam o investimento. Vale dizer que o app chega completo. Após investir nele, não será preciso continuar comprando efeitos e pacotes dentro do aplicativo.

Bateria do iPad

Não sei se é o novo iOS 8.3, mas a duração da bateria do iPad foi digna de nota. Começamos os testes por volta de 14h30 e terminamos após às 18h. O tempo inteiro ajustamos parâmetros, gravamos, usamos audiobus, sempre com a iRig Pro conectada. Após os testes, usei o mesmo iPad para mixar as gravações, fazer ajustes no Audio Mastering, editar vídeo, subir as faixas para o SoundCloud, etc. Às 23h, o iPad ainda apresentava mais de 30% da carga. Ou seja: a utilização ao vivo não será um problema.

Novo Amplitube

Lançado recentemente, aproveitei a presença do Rafael Odon para testar rapidamente o novo Amplitube para iOS. Não foi um teste criterioso como o do BIAS FX, pois não era o foco e nem tínhamos tempo. Mas vale dizer que ele foi muito elogiado.

Nenhum problema com a latência e a simulação de amplificadores surpreendeu. Eu ouvi até um “nossa, esse aqui soa muito como um Marshall!”. Então, é outra excelente opção.

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