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Nintendo 3DS e Nintendo DS: tudo para fazer música com estes consoles portáteis

Marcus Padrini janeiro 20, 2014 No Comments »

Para 99,9% da população, os consoles Nintendo 3DS e Nintendo DS são apenas games portáteis da japonesa Nintendo. Porém, o 0,1% restante, composto por desenvolvedores e músicos, enxergou nestes dispositivos a possibilidade de fazer música. Já falamos algumas vezes sobre apps musicais para o Nintendo DS, porém nunca de forma mais detalhada. No último mês, tive a oportunidade de passar um bom tempo com um Nintendo 3DS XL, o mais moderno console da linha, e pude explorar de verdade as suas possibilidades musicais.

Raio-x e a evolução do Nintendo DS

Para quem não gosta de games ou não possui nenhuma criança mais tecnológica na família, vale explicar: o Nintendo DS é um console portátil, que apresenta duas telas, sendo uma delas sensível ao toque. O DS é comandado pelo usuário utilizando seus botões, controles (já no próprio corpo do dispositivo) e também a caneta stylus, em contato com a tela inferior. Desde que foi lançado, em 2004, o DS evoluiu e recebeu novas versões.

Hoje, encontramos nas lojas brasileiras os modelos Nintendo Dsi, Nintendo 3DS e Nintendo 3DS XL. O Dsi é mais compacto, roda os jogos desenvolvidos para a linha DS e conta com loja virtual de games e aplicativos, a Nintendo eShop. Também compatíveis com os games do DS e contando com acesso à Nintendo eShop, os modelos 3DS e 3DS XL são os mais modernos da linha e, como o nome diz, apresentam uma das telas com capacidade de exibição de imagens em 3D, sem o uso de óculos especiais ou qualquer outro acessório. Estes dois últimos modelos possuem jogos e aplicativos exclusivos. A sigla XL significa apenas que este modelo possui a tela maior que o 3DS convencional.

Com 10 anos de história, é possível encontrar consoles DS de diversos modelos e preços, novos e usados. Os modelos mais básicos podem ser encontrados usados por menos de 250 reais, enquanto o Nintendo 3DS XL pode custar até mil reais em algumas lojas.

Jogos e apps musicais dividindo espaço no 3DS

Os modelos mais recentes do DS trabalham com jogos em cartuchos (que palavra velha!) e títulos baixados pela loja virtual e gravados no cartão de memória SD, que acompanha o console de fábrica. Diferentemente do iOS, os títulos do DS geralmente não são nada baratos. Os games vendidos em lojas físicas costumam custar entre 150 e 200 reais. Os apps musicais e outros títulos online podem ser encontrados com preços entre 6 e 60 dólares.

O Nintendo Dsi e os modelos 3DS e 3DS XL funcionam alimentados por uma bateria recarregável que costuma ter duração entre 3 a 6 horas de uso. Todos estes modelos apresentam auto-falante e microfone embutidos, além da saída para fones de ouvido. Há ainda a presença de cameras, nas partes frontal e traseira. No caso do 3DS, há 2 câmeras traseiras capazes de fotografar e filmar em 3D.

Mario, Zelda e…Korg?

Em meio a diversos games consagrados, como Mario e Zelda, algo que não esperaríamos encontrar em um videogame como este seria uma criação para produção musical. Porém, como em quase todos os dispositivos móveis existentes, alguns desenvolvedores viram esta possibilidade no DS. Oficialmente, isto ficou mais evidente quando, logo em 2005, o artista sonoro Toshio Iwai, criado do Yamaha Tenori-on, lançou para o DS o título Electroplankton.

Com cara de game, o lançamento apresentava uma série de possibilidades musicais, com sequenciadores, editores de áudio, efeitos e loops, sempre envolvendo a vida marinha e criaturas simpáticas. O carisma e som peculiar do Electroplankton transformaram o título em um verdadeiro clássico para o console. Ainda é possível encontrá-lo em lojas brasileiras na internet. Na Nintendo eShop, o título foi desmembrado. É possível comprar cada um dos instrumentos separadamente por cerca de 2 ou 3 dólares cada.

Se o Electroplankton ainda pode ser encarado como um game por muitos, uma vez que não exige nenhum conhecimento musical para sua utilização, o mesmo não poderia ser dito de um lançamento ainda mais estranho e específico que viria alguns anos depois. Em 2008, a Korg apresentou o Korg DS-10, a versão para DS de seu clássico sintetizador analógico MS-10 (ou MS-20, já que o MS-10 apresentava apenas um oscilador).

Korg DS-10 Plus

Korg DS-10 Plus

Oferecendo dois osciladores, drum machine, sequenciadores programáveis, teclado e patch panel virtuais, além de uma interface Kaoss XY para controlar diversos parâmetros, o DS-10 definitivamente é um instrumento musical e também um ambiente completo para a criação de faixas completas de música eletrônica com o Nintendo-DS.

O DS-10 ainda receberia uma atualização com o nome de DS-10 plus, oferecendo mais recursos que a versão original. Atualmente é muito difícil encontrar qualquer uma destas versões no Brasil, uma vez que o título foi descontinuado pelo desenvolvedor. Aliás, vale dizer que um dos criadores do DS-10, Nobuyoshi Sano, hoje trabalha com a DETUNE e foi o responsável por criar o ótimo iMS-20 para iPad.

No ano passado, a japonesa DETUNE anunciou o lançamento mundial de outro clássico da Korg para o portátil da nintendo, desta vez exclusivamente para os modelos 3DS: o Korg M01-D traz todos os timbres do clássico teclado workstation Korg M1 e ainda conta com sequenciador de 8 faixas e sons exclusivos. Nem mesmo o iPad conta com algo parecido até o momento.

Confira uma das faixas que criei com o Korg Mo1D:

O Korg M01-D pode ser comprado na Nintendo eShop por 34 dólares.

Latência e interface do Nintendo DS para fazer e tocar música

Confesso que achei estranho considerar tocar um instrumento com uma caneta stylus. Porém, a tela do Nintendo 3DS XL (modelo que utilizei no teste) apresenta excelente resposta ao toque e latência baixíssima, semelhante à que encontramos no iOS.

A possibilidade de contar com duas telas atuando simultaneamente e a precisão da stylus são dois diferenciais. É extremamente agradável desenhar os passos de um step sequencer com a caneta. Também é legal ter informações úteis e diferentes na tela que não está em uso no momento. Os apps da Korg fazem isto muito bem.

DS-10 Plus: duas telas facilitam a exibição de informações importantes

A tela sensível ao toque do DS é resistiva, ou seja, exige uma leve pressão dos dedos ou caneta stylus para detectar o toque. Isto tem o lado bom e o ruim. O bom é que a experiência de uso (resposta) para tocar notas e programar sintetizadores é melhor. Tocamos teclas e cordas, é normal esperar ter que pressionar algo, mesmo que minimamente, para ter um resultado sonoro. O ruim é que telas resistivas geralmente não são multitoque, o que acontece com a presente no DS.  Ou seja, apenas um toque é detectado por vez. Esqueça a possibilidade de tocar acordes.

Disponibilidade de apps musicais

Rhythm Core Alpha 2, um dos destaques musicais para o DS

A disponibilidade de apps musicais para o DS é restrita, pelos menos pelas vias oficiais. Encontrar estes títulos em lojas físicas ou virtuais não é simples aqui no Brasil. Na Nintendo sShop apenas alguns poucos apps musicais estão disponíveis. Entre eles, destaco os seguintes:

Korg M01D (3DS e 3DS XL): recriação do teclado workstation Korg M1 para o 3DS.

Electroplankton: uma coleção de ferramentas para criação de sequências, efeitos, etc usando simpáticas criaturas marinhas.

Rhythm Core Alpha 1 e 2: sequenciador pensado para performance ao vivo. Conta com vários instrumentos e modo de performance exclusivo para improvisos.

Rytmik: sequenciador baseado em clips. Fácil utilização e timbres interessantes.

Electric Guitar: Guitarra para o DS. Timbre legal, com direito a alguns efeitos, e excelente tocabilidade. Acordes são programados pelo usuário, que pode mudá-los com o controle direcional do DS.

Acoustic Guitar: Violão para o DS. Bom timbre e modo rítmico com alguns acompanhamentos pré-definidos. Acordes são programados pelo usuário, que pode mudá-los com o controle direcional do DS.

Music On Drums: Drum Machine básica, mas funcional. Boa coleção de timbres, possibilidade de definição de volume e posicionamento estéreo de cada passo do sequenciador.

Homebrew: o outro lado da força

Nitrotracker. Fonte: Google Images

Também como em qualquer outro dispositivo do gênero, o Nintendo DS possui a sua comunidade de desenvolvedores alternativos, aqueles que criam apps para o dispositivo que jamais serão comercializados e estão disponíveis gratuitamente para download.

Porém, a Nintendo não facilita a utilização destes apps, principalmente porque a maneira de usá-los é a mesma que abre as portas para a pirataria no console: instalá-los em cartões de memória semelhantes a cartuchos, que possuem um núcleo de sistema operacional próprio, capaz de rodar títulos não oficiais e cópias piratas dos games a apps originais.

Como sabem, não incentivo a pirataria de maneira alguma. Porém, não há nada de errado em adquirir um destes cartões para rodar apps musicais gratuitos e não comerciais que são oferecidos por desenvolvedores espalhados pelo mundo. E é nesta categoria que podemos encontrar outros grandes destaques para a música no DS:

Nitrotracker: tracker que permite a gravação de samples diretamente do microfone embutido do DS. Muitas possibilidades de edição e sequenciador versátil. Um dos melhores apps musicais para o DS.

Protein DScratch: app experimental para o trabalho de loops com amostras de áudio.

GlitchDS: um sequenciador celular. Também bastante experimental, mas capaz de gerar sons muito interessantes.

Assim como o jailbreak dos dispositivos iOS, o modo homebrew do nintendo DS é combatido pela empresa em cada atualização de firmware de seus consoles. Então, o cartão de memória rodando seus apps musicais gratuitos hoje poderá deixar de funcionar se você atualizar o DS online amanhã. Sempre é bom consultar o site do fabricante do cartão para saber como não perder a sua funcionalidade com as novas versões do software do DS.

Nintendo DS x iPhone e iPad

A comparação é injusta. Enquanto iPhones e iPads oferecem apps musicais com efeitos diversos, audiobus, audio copy, exportação para dropbox, envio de áudio por e-mail, compartilhamento de presets online, MIDI virtual, etc, o DS conta nos dedos os apps musicais disponíveis, sendo que nenhum deles terá nenhum dos recursos que acabei de listar.

Além disso, não há acessórios musicais para o DS. Nada de controlador MIDI, CCK, interface de áudio, etc.  Ou seja: musicalmente, o DS é um verdadeiro deserto com alguns poucos oásis como o M01D, o Electroplankton e o DS-10. E há muitos quilômetros de sol quente e areia tórrida entre eles.

Comprar um DS ou 3DS só para música?

Se for pensar apenas em fazer música, somente se você tiver dinheiro sobrando e for um entusiasta deste tipo de plataforma musical alternativa. São poucos apps musicais, recursos e interface limitados. Porém, se gostar de games ou tiver algum DS “de bobeira” abandonado pelas crianças da família (que agora querem saber apenas de Xbox e PS4), valerá muito a pena experimentá-lo para a música. É uma ferramenta totalmente diferente de iPads e iPhones para a música móvel.

Para quem quiser usar o DS para fazer música, sempre vale ter em mente: a linha DSi tem acesso à nintendo eShop, útil para comprar apps como o Rhythm Core Alpha, mas não irá rodar apps do 3DS. Os modelos 3DS também rodam os jogos de DS e contam com títulos exclusivos, entre eles o ótimo Korg M01D, que pode ser adquirido online.


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