RME Babyface: interface de áudio e MIDI compacta e poderosa trabalha com Mac, Windows e iPad (review)

Encontrar um equipamento de áudio profissional que chega em uma caixa com a figura de um bebê sorridente não é algo rotineiro. E foi com esta surpresa que comecei o meu review da Babyface, a interface compacta de áudio e MIDI da RME.

Minha experiência de algumas semanas com a Babyface foi surpreendente do início ao fim. As impressões, testes e detalhes você confere agora em mais um review do MusicApps.

Quem vê cara…

Definitivamente, não vê coração. É bom não se enganar com o sorriso sereno do bebê na caixa. Apesar da embalagem até sugerir um produto simples, a Babyface é uma interface de áudio e MIDI compacta com características e recursos de equipamentos profissionais de alto nível. Ela chega com conversores AD e DA de 192kHz, dois pré-amplificadores de altíssima qualidade, conexões analógicas e digitais, portas MIDI e os mesmos software e driver USB da série Fireface.

Ainda não muito falada por aqui, a RME é uma empresa alemã que já se destaca há um bom tempo na construção de interfaces e outros equipamentos de áudio profissional, tanto pela qualidade dos componentes, que proporciona áudio de extrema qualidade, como pelo trabalho primoroso no desenvolvimento próprio de drivers para oferecer a menor latência possível em computadores Mac e Windows.

Conhecida pela criação do padrão Firewire e por sua série de equipamentos Fireface, a RME desenvolveu a Babyface, seu modelo mais compacto de interface, oferecendo recursos clássicos e modernos de sua série de produtos, além de grande qualidade para a gravação de instrumentos e voz.

Conhecendo a Babyface

A Babyface é uma interface USB de áudio e MIDI, compatível com computadores Mac e Windows, além de também poder trabalhar com o iPad, o que falarei adiante.

Por ter um projeto mais compacto, a Babyface trabalha com um cabo chicote que oferece 2 entradas e saídas XLR balanceadas, MIDI In/Out e conexão P10 para fones de ouvido. Vale dizer que, além das possibilidades oferecidas pelo cabo chicote, a própria interface já apresenta, na lateral, saída para fones e entrada P10 para instrumentos, como guitarra ou baixo, facilitando ainda mais a sua operação.

Na forma como chega de fábrica, a Babyface é capaz de gravar até dois canais de entrada simultaneamente. Porém, é possível realizar a expansão da interface com equipamentos da própria RME, como o RME ADI-8 QS ou OctaMic II, e passar a usar a totalidade dos recursos do equipamento, contando com até 10 entradas de áudio e 12 saídas.

Tirando da caixa e encontrando a Babybag

A experiência de tirar a Babyface da caixa é muito legal. A RME não se preocupou apenas em criar uma arte curiosa para a embalagem. Logo que abrimos a caixa, o que vemos é uma bag também bastante simpática. Nela está a Babyface acompanhada por seus cabos.

Logo abaixo, encontramos os manuais e o restante da documentação. Tudo muito bem feito, claro e objetivo.

Confesso que, com o passar do tempo, desenvolvi um afeto especial por produtos que acompanham bag ou case de fábrica. Não há nada mais chato do que ter que se preocupar em como transportar seu novo equipamento sem danificá-lo. É ótimo quando o fabricante já pensa nisso por você.

O modelo que recebi da Quanta Store para review é da série Silver Edition, ou seja, na cor prata. Existe também o modelo tradicional, na cor azul, que também é bem bonito e oferece as mesmas funcionalidades.

Na parte superior, encontramos um grande botão giratório, responsável por ajustar os níveis de volume das saídas e ganho nas entradas. Também temos dois outros pequenos botões. O Select faz a seleção do parâmetro que será monitorado/alterado e o Recall, que traz uma função bem útil: é possível definir um volume padrão das saídas principais da Babyface. Caso o volume seja aterado durante a gravação ou outro processo, basta pressionar o Recall para retornar ao volume pré-definido.

Os leds indicam os níveis de volume nas entradas e saídas, sinalizando sempre o status da opção selecionada no painel.

Combinações destes botões fornecem ajustes finos da interface, como volumes individuais de cada entrada e outros.

Na lateral direita estão as conexões de fone de ouvido e P10 para a ligação de instrumentos. Considero este como um importante diferencial da Babyface: contar com uma entrada de instrumentos na lateral dispensa o uso do cabo chicote para trabalhos mais simples, como a gravação de guitarra ou baixo.

Na parte traseira, temos as conexões USB, óticas (entrada e saída), serial (15 pinos) e entrada para fonte de alimentação externa (não acompanha a interface).

E é na conexão de 15 pinos que fazemos a ligação do cabo chicote. Ele oferece 2 entradas de áudio XLR, 2 saídas de áudio XLR, portas MIDI (In e Out) e ainda uma conexão de fones adicional!  Ou seja, a Babyface irá permitir que duas pessoas possam monitorar o áudio com fones simultaneamente, ou então possibilitar que uma destas saídas seja utilizada para enviar sinal para monitores, por exemplo.

Aposta na compatibilidade

Outra características bastante positiva da Babyface é a sua compatibilidade abrangente. Nada de preconceito com o Windows. A interface trabalha com computadores Mac e Windows e ainda é capaz de funcionar muito bem com o iPad, desde que seja alimentada com um hub USB ou fonte de alimentação externa.

Sobre a compatibilidade com o iPad, vale uma observação. Com os modelos de geração 2 e 3 a Babyface funcionou perfeitamente, sendo alimentada via USB por um hub ou pelo próprio carregador do iPad.

Porém, no modelo de 4ª geração, só tive sucesso usando uma fonte de alimentação externa convencional. Nos fóruns da RME alguns usuários relatam problemas semelhantes. Pode ser algo relacionado ao iOS 7 ou ao novo modelo, mas que deverá ser corrigido em breve. De toda forma, com uma fonte tradicional, tudo funcionou perfeitamente também no iPad 4.

Mesmo no iPad, a Babyface também é reconhecida como interface MIDI

Também vale destacar a versatilidade das conexões. No meu caso, utilizei a Babyface com fones de ouvido e fiz a ligação da saída digital aos meus monitores que possuem entrada óptica.

Sonoridade

Já tinha boas referências sobre a qualidade de áudio da Babyface, mas confesso que, na hora dos testes com a interface, fiquei ainda mais impressionado. De todas as interfaces de áudio compactas que já testei, a sonoridade da Babyface foi a que mais me agradou, comparável apenas à Apogee Duet. Tudo soa cristalino. É possível ouvir detalhes das gravações que em outros equipamentos pareciam ficar meio escondidos.

E não é preciso fazer nenhum grande teste para comprovar. Um bom par de monitores ou fones de ouvido e uma simples comparação de suas músicas favoritas tocando no iTunes com a Babyface e outras interfaces já irá demonstrar a diferença.

Totalmix e latências realmente baixas

TotalMix e Logic

Após a instalação dos drivers, toda vez que a Babyface é conectada ao computador os aplicativos TotalMix e FireFace USB settings são abertos automaticamente. O segundo é apenas uma tela de ajustes da interface. Já o primeiro é uma solução muito interessante para configurar a rota do áudio na Babyface e no seu computador. O TotalMix FX é um software incrível que oferece muitos recursos para manipular entradas e saídas da interface com extrema facilidade.

Além de permitir várias configurações de rota, o TotalMix conta com alguns efeitos embutidos, como equalizador, reverb e delay. Todos são de muita qualidade e bastante intuitivo.

Citei no início do texto a qualidade dos drivers da RME. A latência que pode ser obtida é realmente muito baixa. Em computadores com configuração média será possível usar buffers menores do que 64, oferecendo latência inferior a 5ms. No iMac e em um notebook Dell com Windows, consegui resultados excelentes.

Nossos testes

Fiz vários testes com a Babyface. Muitos no iPad, outros tantos no computador. A gravação de instrumentos de linha apresentou excelente resultado nas duas situações. É bem prático poder realizá-la usando apenas a porta P10 lateral, sem a necessidade do cabo chicote.

É claro que, para ter os melhores resultados possíveis em uma gravação, não basta usar apenas um ótima interface. Bons microfones também serão fundamentais, assim como ótimos fones e monitores para conferir e ajustar o seu trabalho. Porém, decidi registrar um teste rápido que fizemos, sem nenhum ajuste especial, apenas para demonstrar a qualidade da Babyface em uma situação como esta.

Contei com a participação do Rodrigo Padrini, meu irmão, baterista e um dos vocalistas da banda 3 of Us, para gravar um pequeno trecho da música Octopus’s Garden dos Beatles. A gravação foi realizada com um simples Samson C01, que capturou a voz e também o violão, um Fender CD60, mais uma vez tocado com toda a minha habilidade… de tecladista. Espaço sem nenhum tratamento acústico.

Não fiz nenhum ajuste nas amostras. Seguem os trechos separados:

RME Babyface x Apogee Duet

Esta é a pergunta que sabia que receberia antes mesmo de publicar o review: Babyface ou Apogee Duet? De fato, elas são interfaces com propósitos e características bastante semelhantes. Vamos responder por partes.

Em relação ao visual, creio que não há duvidas de que a Apogee leva vantagem. O design da Duet é realmente muito bonito e difícil de ser batido. Porém, do ponto de vista de usabilidade, a Babyface oferece, além do botão giratório principal, outros dois menores que possibilitam ajustes rápidos e combinações para ativar funções dispensando o uso do computador.

Sobre a qualidade de construção e a durabilidade, há um empate. O material utilizado em ambas é excelente e sugere uma durabilidade prolongada.

Apogee Duet

Na qualidade de áudio, tanto na gravação, como na reprodução, creio que há um empate técnico. Babyface e Duet utilizam o mesmo chip de pré-amplificadores. A Duet leva vantagem por oferecer mais 10db de ganho, mas a Babyface já apresenta bastante ganho para a realização de qualquer gravação de forma muito satisfatória. Os conversores AD e DA são diferentes, mas de qualidade equivalente. As diferenças na gravação de instrumentos serão sutis e irão agradar mais ou menos dependendo dos demais equipamentos utilizados e dos ouvidos do usuário.

No quesito compatibilidade, ponto para a Babyface. Além de trabalhar com o Mac e iPad, mesmo com o inconveniente de não oferecer uma fonte de alimentação externa de fábrica, ela também é compatível com o Windows, tornando o interface bastante versátil para vários usuários que possuem os dois sistemas, como é o meu caso, por exemplo.

Também vale ressaltar a conectividade e as possibilidades de expansão da Babyface. Além de oferecer portas MIDI tradicionais e apresentar também conexões digitais, a Babyface poderá ser expandida com a ligação de acessórios,  que poderão transformá-la em uma interface de 10 canais.

MusicApps sobre a RME Babyface:

Construção e Durabilidade [Rating:5/5]
Facilidade de utilização: [Rating:5/5]
Portabilidade: [Rating:4.5/5]
Compatibilidade: [Rating:4.5/5]
Profissional: [Rating:4.5/5]
Preço: [Rating:4/5]
Geral: [Rating:4.6/5]

Disponibilidade

A RME Babyface para Mac, Windows e iPad é oferecida no Brasil pela Quanta Store e pode ser adquirida online neste link.

Conclusão e considerações finais

A Babyface da RME é a interface compacta de áudio e MIDI para aqueles que desejam mudar o patamar de qualidade de suas gravações. É um verdadeiro salto de qualidade em relação a outros modelos compactos.

Sua compatibilidade abrangente faz com que a Babyface seja uma ótima escolha para usuários que trabalham com Mac, Windows e iPad.

Resistente, leve, compacta, construída com componentes de alta qualidade e oferecendo possibilidades de expansão, a Babyface é um investimento que deverá durar um bom tempo e será bastante útil para aqueles que desejam gravar com mobilidade sem nunca abrir mão da qualidade.

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