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Minibrute: o sintetizador analógico compacto e nervoso da Arturia (Review)

Marcus Padrini março 5, 2013 12 Comments »

minibrute musicapps

São tempos diferentes. Depois de passarmos por uma grande revolução dos instrumentos musicais no computador e estarmos vivendo outra – a da música móvel em smartphones e tablets -, desde o último ano presenciamos o renascimento dos sintetizadores analógicos.

Eles foram famosos e muito importantes na música da década de 70. Desde então, vêm sendo utilizados por vários artistas, de diversos estilos, do rock progressivo à música eletrônica. Conhecidos por seus timbres únicos e também por seus preços, geralmente não muito convidativos, ganharam admiradores em todas as partes do mundo.

Agora os analógicos estão de volta. A ideia e os timbres são os mesmos, mas a abordagem é diferente. Compactos e muito mais acessíveis, novos modelos chegam ao mercado, apostando que a admiração se transforme em popularização em um mercado de massa. Parece estar funcionando.

E já que estamos falando em mudanças, nada ilustra melhor este quadro do que a história do personagem de nosso review de hoje. Ele é o primeiro sintetizador analógico construído por uma empresa que , até então, fazia basicamente instrumentos virtuais, híbridos ou digitais: a Arturia. Apresentado em 2012, o Minibrute foi visto pela imprensa especializada e por músicos como um sopro de ar fresco no segmento dos sintetizadores analógicos.

Compacto, mas capaz de produzir sons extremamente agressivos e únicos, o Minibrute tem personalidade. E, a partir de agora, você irá conhecê-lo um pouco mais neste review.

Minibrute no MusicApps

Recebi o Minibrute para testes da Quanta Store e tive o privilégio de fazer um dos primeiros (ou até mesmo o primeiro) review do instrumento no Brasil. Mesmo não tendo relação com iPads, iPhone ou outra tecnologia musical muito recente, o Minibrute é compacto, diferente e versátil. Logo, tem tudo a ver com os leitores do MusicApps.

Antes de publicar este review, passei um mês experimentando e explorando as funcionalidades do Minibrute.

O que é?

O Minibrute é um sintetizador de circuito 100% analógico. Dotado de um oscilador (VCO), um sub oscilador, muitas possibilidades de modulação, recursos sonoros exclusivos e versatilidade em seu filtro, é capaz de produzir timbres realmente únicos. No Arturia Minibrute não há display LCD, menus ou funções ocultas. Tudo aquilo que pode ser alterado está no painel, na foma de knobs, faders e botões.

Não há presets e nem memória. Os timbres são criados e modificados em tempo real pelo usuário. E isto não tem nada de ruim, acredite.

Extremamente compacto, o Minibrute oferece teclado de 2 oitavas e diversas possibilidades de conexão com outros equipamentos. As conexões MIDI tradicionais e USB estão presentes, assim como as portas CV, o padrão de comunicação e controle entre equipamentos analógicos.

Unboxing e qualidade de construção

No pequeno vídeo de apresentação deste review, coloquei as cenas do unboxing do Minibrute.

Na caixa, encontramos, na companhia do sintetizador, um manual de instruções muito completo, a fonte de alimentação e o envelope com uma simpática coleção de formulários com sugestões de presets e folhas em branco para “memorizar” os sons incríveis que o usuário conseguir criar em um momento de inspiração e não desejar perder. Experiência 100% analógica, não?

Gabarito com presets clássicos e registros dos usuários

Diferente daquilo que li em alguns sites no momento do lançamento do Minibrute, sugerindo baixa qualidade de construção em função do seu preço mais acessível, gostei muito da estrutura do sintetizador da Arturia. O corpo do instrumento é de alumínio, na cor chumbo. As laterais são emborrachadas, na mesma cor, e garantem a proteção do instrumento contra eventuais impactos. Faders, knobs e botões são precisos e firmes. Não são knobs de um Moog – e nem poderiam, já que o painel é extremamente compacto -, mas funcionam adequadamente e não passam a impressão de fragilidade durante o uso. O mesmo pode ser dito das rodas de pitch e modulação.

Minibrute: laterais emborrachadas e corpo em alumínio

A parte traseira merece destaque. A Arturia não economizou nas possibilidades de conexão do Minibrute com outros equipamentos e fontes de áudio.  Lá estão as portas MIDI (in/out), MIDI/USB, conexões CV de entrada e saída, saída de áudio, saída para fone de ouvido, entrada de áudio auxiliar e ainda a seleção do modo de acionamento do sintetizador (teclado, hold e áudio).

O Minibrute oferece 25 teclas de tamanho natural e ação de sintetizador. O teclado é sensível à velocidade e possui Aftertouch.

Para um sintetizador analógico, o Minibrute é bem leve, pesando apenas 4 KG.

Esquentar, afinar e… Fogo!

O Minibrute é 100% analógico, nunca é demais lembrar. Isto significa que pelo menos 2 cuidados fundamentais devem ser tomados antes de começar a tocá-lo com a banda ou no estúdio de gravação: aquecimento mínimo de 10 minutos para estabilizar o oscilador e ajuste da afinação com o knob Fine Tune, de acordo com os outros instrumentos ou afinador de sua preferência. A partir daí, o Minibrute permanece com afinação extremamente estável.

Oscilador, Ultrasaw e Metalizer

O Minibrute possui apenas um ocilador (VCO) capaz de gerar diferentes formas de onda, como triangular, quadrada e dente de serra. Estas formas de onda podem ser combinadas em um mixer bastante intuitivo. Também faz parte da seção do oscilador o Sub Oscilador, capaz de gerar o som uma ou duas oitavas mais grave do que o oscilador principal e contando com duas formas de onda. A combinação do Oscilador e o Sub é excelente para gerar timbres encorpados!

Vale destacar a presença dos recursos Ultrasaw, que faz cópias da onda dente de serra com fases diferentes e proporciona um efeito semelhante ao chorus, e Metalizer, capaz de criar um timbre mais metálico, deformando a onda triangular, criando waveforms complexas e ricas em harmônicos.

A seção do oscilador conta também com um gerador de ruído, ideal para a criação de timbres de percussão e efeitos sonoros.

Filtro multimodo e Brute Factor

O filtro do Minibrute é bastante particular. Trata-se de um Steiner-Parker multimodo, utilizado pela primeira vez em um sintetizador na década de 70,  rival do Minimoog, o Synthacon.

Versatilidade é a palavra para definir o Steiner-Parker, que além do modo Low Pass, traz outros comportamentos como Band Pass, High Pass e Notch. Para quem gosta de sons mais agressivos, abusando da ressonância, o filtro do Minibrute é uma ferramenta especial.

Para acabar de justificar o nome, o Minibrute traz ainda o recurso Brute Factor. Trata-se de um knob que aciona um mecanismo responsável por reproduzir no sintetizador o clássico efeito de feedback loop, bastante utilizado em sintetizadores antigos para gerar sons mais agressivos e distorcidos, obtido através da ligação da saída do fone de ouvido na entrada de áudio externo.

Envelopes

O Minibrute traz 2 geradores de envelope completos e com velocidade de ação ajustável. É possível controlar a dinâmica do filtro e do amplificador.

Vibrato, Glide e LFO

As possibilidades de modulação do Minibrute são um dos pontos altos do sintetizador. Com LFO versátil (são 6 formas de onda disponíveis) e com várias rotas possíveis, Vibrato independente e acionamentos via aftertouch e roda de modulação, o potencial para criar timbres únicos é imenso.

Detalhei estes controles de modulação e outros neste vídeo.

Arpejador

Como é bom contar com um arpejador em um sintetizador como este! No arpejador do Minibrute é possível definir o número de oitavas que serão tocadas, o modo sequencial das notas (up, down, up-down e random), swing e o tempo, que pode ser ajustado via knob ou pad Tap.

O modo Hold permite deixar o arpejador em funcionamento mesmo após parar de pressionar as teclas.

Os sons do Minibrute

Até aqui, você já percebeu parte da sonoridade do Minibrute nos vídeos de demonstração. Falei muito sobre o potencial do sintetizador da Arturia para a criação de timbres agressivos. Ele faz a diferença em leads ressonantes, baixos agressivos e efeitos sonoros psicodélicos.

Porém, o Minibrute também se dá bem na hora de produzir graves e leads mais tranquilos e suaves.

A dica é trabalhar com níveis mais baixos no mixer de formas de onda. Percebi que trabalhar com níveis altos de cada onda no mixer já gera alguma distorção no áudio. Deixar estes níveis próximos da primeira marcação na divisão do fader é garantia de timbres mais puros.

Fiz o teste com um lead bem mais tranquilo no vídeo abaixo.

Minibrute é um bom companheiro

Não posso deixar de citar a versatilidade do Minibrute para o trabalho com outros sintetizadores. Por aqui, fiz diversos testes envolvendo o Minibrute e outros sintetizadores digitais e analógicos, além de apps musicais para o iPad.

Por oferecer diversas possibilidades de conexão com outros equipamentos e trabalhar com a entrada de áudio externo, o Minibrute é uma excelente opção para qualquer set de sintetizadores. Seu filtro único e suas inúmeras possibilidades de modulação irão aprimorar timbres de outros instrumentos.

Fiz um breve teste com o Minibrute, Moog Slim Phatty (também sendo controlador pelo Minibrute via MIDI) e Korg Monotribe.

Disponibilidade

Recebi o Arturia Minibrute da Quanta Store para o nosso review. A empresa foi a primeira a oferecer o produto no Brasil e você pode encontrá-lo online aqui.

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Conclusões sobre o Minibrute


Logo que comecei a tocar com o Minibrute, imaginei o que falariam deste instrumento daqui a alguns anos. Creio que será considerado um clássico. Sua sonoridade é única e ele não foi desenvolvido para ser melhor ou pior do que este ou aquele sintetizador. Seu projeto também não se parece muito com nada já criado.

Inicialmente, achei que a presença de apenas duas oitavas seria algo muito incômodo e um grande limitador. Depois. percebi que é uma das características do instrumento, de sua apresentação compacta e layout bastante funcional. Para quem precisar, mais teclas estarão a apenas um cabo MIDI de distância.

O Minibrute pode ser o primeiro sintetizador analógico de um músico, mas também poderá completar qualquer set já recheado de bons equipamentos, oferecendo novas possibilidades sonoras.

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MusicApps sobre o Minibrute

Construção e Durabilidade (4.5/5)
Facilidade de utilização: (5/5)
Portabilidade: (4.5/5)
Compatibilidade: (5/5)
Profissional: (4.5/5)
Preço: (4/5)
Geral: (4.6/5)

Veja nossas fotos do Arturia Minibrute

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*Veja a galeria no Flickr


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12 Comments

  1. Rogermusic março 5, 2013 at 11:55 am - Reply

    Realmente, presenciamos o nascimento de um futuro clássico…

    Excelente e completo review, parabéns!

    • musicapps março 5, 2013 at 10:31 pm - Reply

      Obrigado. Gostei muito do Minibrute!

  2. @Koynonia março 10, 2013 at 6:36 am - Reply

    Ótimo review, e com os vídeos deixa bem claro as possibilidades do Minibrute

  3. Igor Cristo março 11, 2013 at 9:10 am - Reply

    Excelente review! Muito completo e bem redigido.
    Precisamos de mais conteúdo assim em português! Luto através de meu blog pra conseguir colocar esse tipo de informação e com essa claridade na explicação.

    Uma dúvida: como o Minibrute fala comparado com o Slim Phatty? Sei que se trata de máquinas diferentes, mas a pergunta é se o Minibrute tem aquele mesmo "peso" do Moog.

    Parace um sintetizador muito interessante!

    • musicapps março 13, 2013 at 10:33 am - Reply

      Oi, Igor! Tudo bem? Muito obrigado pelo comentário. Outro dia estava lendo seu blogue por acaso. Não sabia que era seu. Vc fez ótimos posts do little phatty! Parabéns! I Sobre a comparação, são bem diferentes. Acho que o minibrute teria mais a ver com o sub phatty do que com o little ou slim. Gosto do sub osc e acho o filtro sensacional, mas a falta de presets pode ser ruim para alguns músicos que tocam ao vivo. De toda forma, para ter no estúdio, gravar, estudar síntese e se divertir, o Minibrue é espetacular. Como disse no review, timbres agressivos são o forte do pequeno.

      • synthway março 14, 2013 at 11:02 am - Reply

        Obrigado pela resposta… estava no aguardo aqui! Heheh!
        Obrigado também pelo elogio… deu um certo trabalho produzir aquele conteúdo.
        Eu estava até o início dessa semana em um processo de decisão por um outro sintetizador e curiosamente acabei me decidindo pelo Sub Phatty, justamente pela sonoridade mais agressiva e diferente do que temos com o Slim e Little. Com toda certeza farei um review bem criterioso!
        Acho que se o Minibrute viesse com a possibilidade de salvar uns 8 presets, viraria arma de muita gente que busca uma sonoridade analógico por um bom preço.
        Abraço!

  4. Victor março 12, 2013 at 12:28 am - Reply

    Realmente raro um review como esse em português. Parabéns!
    Você conhece/ já tocou no DSI Mopho Keyboard? Se sim, qual você prefere: ele ou o Minibrute?
    Uma coisa que iria me atrapalhar no MB seria o fato de não salvar timbres. Tenho que trocar de timbre frequentemente… Acho que seria trabalhoso, além de correr o risco de não montar o timbre que eu estava esperando e quando tocar ter um susto!
    Mais uma vez parabéns pelo review!

    • musicapps março 12, 2013 at 10:58 pm - Reply

      Victor, obrigado. Já sim. São sintetizadores bem diferentes. O Mopho é um prophet V com apenas uma nota de polifonia, basicamente. O Minibrute é um sintetizador mais agressivo, graças ao seu filtro. Há também a velha discussão entre synths com VCOs e DCOs.

      Gosto mais dos timbres do Minibrute no momento. Não ter as memórias é realmente se aventurar como na década de 70. rs A cada show, um timbre um pouco diferente em um solo poderá aparecer. rs Há quem ache isso ruim. Há quem ache divertido emocionante. :)

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