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Coluna do Zakka: produzindo meu cover de Hank’s Theme

Guilherme Zakka janeiro 18, 2012 1 Comment »

Replicar uma música é sempre um desafio deveras interessante. É evidente que nenhum cover é capaz de reproduzir todas as minúcias de uma canção de forma perfeita, mas a premissa de chegar a um som bastante próximo é completamente viável nas condições certas.

Convenhamos que, ao produzir um cover com a missão de replicar a versão original, meio caminho já está andado: não há uma direção criativa a ser tomada, muito menos a necessidade de criar um arranjo. Por outro lado, a outra metade do caminho é complicada: Ter de identificar timbres que você não produziu, notas sutis que você não tocou e, principalmente, não cair na tentação de “fazer do meu próprio jeito porque não consigo copiar”. Além disso, o processo de gravação de um cover provavelmente difere tanto da original que um trabalho pesado de mixagem sempre acaba sendo exigido.

Comentarei aqui alguns detalhes de produção do meu cover de “Hank’s Theme”, uma música do seriado Californication. Tentei ser bastante fiel à versão original, que pode ser conferida aqui. Contudo, estabeleci algumas diferenças da minha versão: Fazer os instrumentos soarem de maneira mais clara, fazer uma mixagem mais encorpada e compor um solo de baixo para deixar a música menos repetitiva do que claramente já é.

Comece vendo o resultado:

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Uso do iPad


Como não poderia deixar de ser, o iPad foi utilizado nessa produção musical. E como não poderia deixar de ser (mesmo), o Bebot foi a estrela principal.

Assobios compõem a principal melodia da música original, editados com uma boa dose de Reverb e outros efeitos. Já que nos assovios há uma sensação de continuidade nas notas e notoriamente um longo slide de uma oitava (presente no início da música), o Bebot era uma boa opção para replicar este som. Corrigindo: Já que eu não sei assobiar, o Bebot era realmente uma boa opção.

O preset do Bebot que mais remete a um assobio é o Theremin. Enquanto o Echo desse Preset foi conveniente, o Chorus teve de ser atenuado. O Synth Mode utilizado é o “Sine”.

Tocar as notas era uma missão fácil. O maior problema era equalizar as notas de maneira correta. O Bebot, configurado dessa maneira, emite irritantes frequências ao tocar notas muito agudas. Um dos aspectos mais inaceitáveis em uma mixagem é um som proeminente que se torne agressivo aos ouvidos.

A solução imediata, nesse caso, seria abaixar o volume do Bebot. Redução de volume é sempre uma saída fácil, porém sempre a ser evitada – afinal de contas, estamos falando da melodia principal, e desistir de deixá-la imponente chega a ser um amadorismo. O processo de identificar as frequências “erradas” é bem simples: Basta aumentar drasticamente o ganho de faixas de frequências específicas em qualquer plugin de Equalização, como demonstrado abaixo:

Ao arrastar essa faixa de frequência levemente de um lado para o outro, eventualmente encontraremos as frequências indesejáveis (seus ouvidos lhe dirão quais são!) e conseguimos atenuá-las utilizando o mesmo plugin.

O problema, nesse caso, é que o Bebot no modo Sine tem um campo de frequências muito estrito (por volta de 1100 kHz a 1400 kHZ). Sendo assim, é fácil acabar reduzindo frequências “boas” ao atenuar as más e assim destruir a proposta do timbre. A solução, portanto, é buscar as frequências de modo muito rígido (de 50 hz em 50 hz, por exemplo). Se mesmo ainda assim o som do instrumento ficar muito baixo ao atenuar essas frequências, podemos compensar aumentando o ganho do canal do Bebot.

Frequências indesejáveis podem estar em diferentes regiões do espectro e esse processo pode ter que ser repetido diversas vezes. Dois plugins Reverb foram utilizados deixar o som do Bebot mais espacial – D-Verb para Pro Tools e o Air Reverb, VST.

Percussões by Apple & Real Life

Outro uso chave do iPad neste cover foi na parte de percussão. É definitivamente o elemento que mais preenche e dá vida à esta mixagem. Utilizei o app Ratatap Drums para simular congas e uma meia-lua. Honestamente, ambos os samples não são de qualidade espetacular, porém esse aplicativo trouxe um visual interessante para o vídeo. Adicionalmente, não possuo congas de verdade e a meia-lua “física” não soou bem com o restante da música. Utilizei também um Shaker da DM-1 Drum Machine que não foi demonstrado no vídeo.

Após esse processo, não pude me convencer de que a mixagem estava boa somente dessa forma: tratei de utilizar mais dois shakers da “vida real”, gravados em um microfone. Dessa maneira, obtive uma boa mescla entre a precisão e confiabilidade dos sons eletrônicos e a naturalidade e imprevisibilidade dos sons orgânicos.

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Power Trio


Uma discreta aparição do excelente sintetizador Sunrizer para iPad encerrou a partipação do tablet da Apple no cover. Restaram os comentários sobre os instrumentos tradicionais: Guitarra, Baixo e Bateria.

O aspecto interessante da guitarra é o uso de um pedal virtual de Tremolo no plugin Amplitube 3. Ele deixa o som da guitarra mais líquido e fluído, atenuando o ataque das notas – esse aspecto era crucial para a fidelidade do cover.

Quanto ao baixo, o destaque fica para o uso da palhetada aliada à técnica de “Palm Mute” (abafar as cordas com a mão direita). A intenção era manter o ataque mais agudo e agressivo de um baixo tocado com palheta sem perder definição nas frequências mais graves. Utilizei também o Amplitube 3 para simular o amplificador de baixo e aumentei bastante as frequências graves na Equalização, a fim de ressaltar o aspecto abafado do timbre.

A bateria eletrônica Roland TD-20 foi gravada em MIDI, utilizando samples do app de iPad DM1 Drum Machine. Não há conexão entre a bateria e o iPad: Eu exportei os samples para o computador e aí sim os programei para cada parte da bateria. A DM1 definitivamente mereceria maior atenção de seus desenvolvedores com mais updates ou até mesmo uma nova versão, pois seus ótimos samples não condizem com seus recursos limitados.

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Notas finais

A mixagem foi masterizada com o plugin Izotope Ozone 4, que funcionou como compressor, enriquecedor de frequências e também adicionou um leve reverb à todos os instrumentos. Mais uma vez o iPad provou-se útil e divertido para produções musicais.

Curiosidade: A visita à um clone de Apple Store é uma referência a uma cena do seriado. A cena teve que ser regravada diversas vezes pois pessoas aleatórias começavam a mexer no meu iPad enquanto eu tomava distância para gravar o take. :)

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Apps citados no Post:

Ratatap Drums (AppStore Link) Ratatap Drums
Desenvolvedor: mode of expression, LLC
Preço: USD 1.99
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DM1 - The Drum Machine (AppStore Link) DM1 – The Drum Machine
Desenvolvedor: Fingerlab SARL
Preço: USD 4.99
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Bebot - Robot Synth (AppStore Link) Bebot – Robot Synth
Desenvolvedor: Russell Black
Preço: USD 1.99
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Sunrizer synth (AppStore Link) Sunrizer synth
Desenvolvedor: Jaroslaw Jacek
Preço: USD 9.99
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One Comment

  1. Giusoares janeiro 19, 2012 at 8:27 am - Reply

    Como sempre…esta de parabens, ficou muito show a qualidade Musical.
    Gostei muito… Abs

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