Android: latência ainda é a “pedra no caminho”

Via Synthtopia

Um dos posts mais acessados do MusicApps, desde o início do blog, fala sobre, acredite, “os melhores apps musicais para o Android“.  Se pensarmos com calma, nada seria mais natural. Os dispositivos Android são extremamente populares. É claro que os donos de tablets e smartphones com o SO móvel do Google adorariam fazer música com seus gadgets. Daí, começam uma busca que, segundo o site francês Musique Tactile, tem tudo para a não acabar muito bem.

O Musique Tactile resolveu fazer testes de latência para comparar a performance de apps musicais rodando nos gadgets iOS (iPads e iPhones) e em diversos dispositivos com o Android. Entenda “latência” como o tempo entre você tocar a tela com os dedos e ouvir o som desejado sendo reproduzido pelo dispositivo. O resultado foi impressionante.

Na prática, a melhor latência obtida por um avançado modelo com Android é 20 vezes maior que a latência de dispositivos iOS. iPhones e iPads apresentam latência média de 5,8 ms, enquanto o melhor smartphone com Android tem 108.8 ms como seu melhor resultado. A situação é a ainda pior quando olhamos o padrão de latência de dispositivos com o Android, considerando várias marcas e versões do SO: cerca de 371 ms.

Você pode estar pensando: “estamos falando de milésimos de segundo. Isso não deve fazer tanta diferença assim”.  E eu garanto: está aí a diferença entre um app musical poder ser tocado em tempo real ou não. Que tal ouvir a diferença? Nas amostras abaixo, o som percussivo seria o seu dedo tocando a tela. Temos também um timbre de piano que demonstra a nota gerada após o toque. No primeiro exemplo, latência zero. No segundo, a latência no iOS. Por último, temos o cenário do melhor dispositivo Android e a realidade da maioria dos modelos com o SO do Google.

A diferença gritante pode ser justificada, segundo desenvolvedores, pela maneira como iOS e Android tratam a manipulação do tamanho do buffer de áudio. Basicamente, o “buffer” é uma espécie de reserva de amostras sonoras na memória para garantir o fluxo contínuo do áudio nos dispositivos. Quanto mais rápido o processador, menor poderá ser o buffer e também menor será a latência. No iOS, é o desenvolvedor quem solicita ao SO o tamanho do buffer a ser utilizado.  Nos dispositivos Android, o mesmo não ocorre. O menor valor de buffer disponível para os aplicativos é, aproximadamente, 60 vezes maior que o menor valor possível em iPads e iPhones.

Tudo isso explica a distância enorme entre o iOS e o Android quando o assunto é produção musical. Tocar um app musical para Android com a velocidade de resposta de um instrumento real, pelo menos até o momento, é tarefa praticamente impossível. Infelizmente, boa parte do que Guy Bernfeld faz no vídeo abaixo dificilmente poderia ser reproduzida em um Android.

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