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Com o TNR-i, Yamaha começa a traçar o caminho de sucesso da Korg nos apps iOS

Marcus Padrini julho 1, 2011 2 Comments »

Se você tem um iPad, toca algum instrumento e lê o MusicApps, é bastante provável que tenha o iELECTRIBE ou o iMS-20 em seu tablet. O que os dois têm em comum, além de serem desenvolvidos pela Korg? Simples: são reproduções de instrumentos e equipamentos musicais reais, criadas especialmente para o iOS. Depois de testar o ambiente musical de iPads e iPhones com alguns apps controladores para seus sintetizadores, a Yamaha, outra gigante mundial na fabricação de instrumentos musicais, parece começar a traçar um caminho semelhante ao percorrido pela Korg, com o lançamento de seu app TNR-i.

Entender o sucesso de títulos como o iMS-20 e o iELECTRIBE não é nada complexo. Basta refletir sobre alguns pontos. O sintetizador MS-20, inspiração do iMS-20, foi lançado no final da década de 70 e fabricado até a metade dos anos 80. Como todo bom sintetizador analógico, o MS20 não era barato (atualmente é vendido usado por cerca de 700 dólares). Não foram produzidas milhões de unidades e o acesso ao instrumento não era simples.

Agora, imagine músicos de todo o mundo tendo a oportunidade de comprar, por menos de 40 dólares, a reprodução do clássico sintetizador analógico para o iPad, com ótimo visual, bons timbres, MIDI, efeitos, Drum Machine, recursos de gravação e compartilhamento de músicas online e a assinatura da Korg.  Haveria possibilidade de dar errado?

Korg iMS-20 x Korg MS-20

O caso do iELECTRIBE é um pouco diferente, afinal o produto que serviu de inspiração está em produção e é utilizado por muitos artistas de música eletrônica. Porém, o hardware custa cerca de 500 dólares, o app é vendido por 20. Muitos podem falar sobre a diferença de qualidade de sons, sobre a falta da experiência com o hardware real, mas o fato é que continuam sendo produtos assinados pelo próprio fabricante da ideia original, o que já atesta qualidade.

ELECTRIBE x iELECTRIBE

O que a Yamaha acaba de colocar no mercado é, sem dúvidas, seu primeiro investimento mais sério em apps musicais para o iOS. O TNR-i, capaz de funcionar em iPhones e iPads, é praticamente uma reprodução completa do sequenciador Tenori-on, criado por Toshio Iwai e anunciado pela empresa em 2006.

Tenori-on x TNR-i

Independentemente de seu gosto pela música eletrônica, o conceito do Tenori-on é muito interessante. Um sequenciador com muitos timbres, controlado por uma matriz de 256 botões iluminados por LED, com muitos layers e diversas possibilidades de programação e performance ao vivo.

Vídeo do Tenori-on:

Demonstração rápida do TNR-i:

Preço do Tenori-on? 999 dólares. Preço do aplicativo TNR-i? 20 dólares.

Detalhe interessante: ambos possuem exatamente os mesmos timbres e podem até mesmo trabalhar em conjunto, sincronizados ou compartilhando arquivos de projetos com sequências de usuário.

Se você chegou até aqui, poderia se perguntar: “mas o que há de novo nisso tudo? Instrumentos reais já foram reproduzidos inúmeras vezes para versões virtuais no computador!”. Sim, mas a possibilidade de interação com estas simulações em desktops é completamente diferente da que um tablet pode oferecer. No MS-20 para o computador, trocar um cabo do patch panel significa usar o mouse. No iPad, basta tocar e arrastar o cabo para onde você quiser na interface do app. Nos casos do iELECTRIBE e TNR-i, os apps são as situações mais próximas da experiência com o equipamento real que diversos músicos do planeta poderão chegar. Em outros casos, poderão ser fator de decisão sobre a compra do instrumento de verdade.

Todos ganham com esse tipo de aplicativo. Usuários poderão ter uma experiência diferente, totalmente baseada em um hardware caro e algumas vezes desaparecido do mercado, por preços bastante aceitáveis. Já as empresas passam a atingir um público até então distante. Pessoas que talvez não comprariam os equipamentos físicos, mas que se encantam com a possibilidade de ter estes instrumentos em seus tablets e smartphones.

O único ponto negativo de toda essa história é perceber as dificuldades e até uma certa confusão de empresas muito grandes ao se depararem com um produto pouco usual feito para um mercado completamente diferente e também gigantesco. O TNR-i da Yamaha apareceu primeiro somente na app store britânica.  Foram dias de blogs e usuários buscando explicações para a não disponibilidade do app nos EUA e em outros países. Pelo Twitter, as diversas contas da Yamaha entraram em contradição. Algumas informaram que não havia previsão para este lançamento nos EUA, outras que a culpa era da aprovação da Apple e que o título já estaria chegando.

O fato é que o aplicativo foi lançado na app store americana dias depois, mas ainda não está disponível em dezenas de outras lojas do mundo, incluindo a brasileira. No nosso caso, a questão da legislação sobre a venda de jogos pode atrapalhar ainda mais. O próprio iMS-20 custou a ser liberado para o Brasil. O app só ficou disponível depois de alertarmos os desenvolvedores repetidas vezes sobre este problema da categoria de jogos na app store brasileira.

Ainda sobre o TNR-i, a diferença básica dos recursos do aplicativo para o hardware original é a ausência de layers do usuário, que permitem a gravação de samples. Nada impossível de ser implementado em próximas atualizações. O aplicativo já possibilita performances à distância, via Game Center, e ainda poderá trabalhar em parceria com o Tenori-on original.


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2 Comments

  1. Raphael Vaz novembro 6, 2012 at 7:45 am - Reply

    Padrini, acompanho o teu trabalho aqui desde que ainda nem tinha um ipad. Parabéns! O fato é que hoje, mesmo com a liberação dos jogos na app store brasileira o tnr-I ainda nao esta disponível em nossa app store. O que falta? Será q seria simplesmente nosso apelo? Da uma força aí… Valeu

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