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Primeiras impressões sobre o FL Studio Mobile

Marcus Padrini junho 23, 2011 3 Comments »

Ontem e hoje pude experimentar um pouco mais o novo FL Studio Mobile para o iOS. A versão que recebi para testes é a HD, feita para o iPad, mas que apresenta basicamente os mesmos recursos do app para iPhone/iPod Touch. Este ainda não é um review, mas sim um post de primeiras impressões, motivado pelos pedidos de muita gente que queria ler comentários e opiniões sobre o FL Studio Mobile antes de decidir pela compra.

Antes de mais nada, é bom lembrar: o FL Studio Mobile gera projetos totalmente compatíveis com a versão do software para Windows. Este ponto já pode ser o suficiente para motivar a compra daqueles que já utilizam a solução para PC e desejam ter mais mobilidade. Em contrapartida, os usuários do Mac devem estar avisados de que a Image Line nem mesmo planeja lançar o FL Studio para o SO da Apple. Estão dizendo a todo momento que iOS é uma coisa, Mac OS é outra.

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Music Studio?

Ao abrir o app pela primeira vez, já é possível ter uma certeza. Se ele não foi criado pelo desenvolvedor do Xewton Music Studio, não há como explicar tantas coincidências. Não são semelhanças sutis. O fluxo de trabalho no app, os efeitos, as telas de configuração. Tudo é igual ou extremamente semelhante.

Mas antes de chamar o app de “FLewton Studio”, como li por aí na internet, é importante dizer que há diferenças significativas entre o FL e o Music Studio. Elas começam na qualidade dos samples. O FL tem sons bem superiores. O modo de pads para gravar baterias é outro diferencial.

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Timbres

Por falar em sons, há alguns comentários a fazer sobre eles. O FL traz uma vasta coleção de samples, porém a maioria está longe da qualidade encontrada em amostras de um bom instrumento virtual para o desktop. Para a composição das músicas e registros de ideias eles são bem úteis. Para aqueles que querem tocar ao vivo e estão pensando na qualidade individual dos instrumentos, creio que o FL Studio Mobile ainda não é a solução. Se comparados aos mesmos instrumentos encontrados no GarageBand para o iPad, os samples do FL são inferiores e não oferecem a mesma tocabilidade e expressão. Porém, gostaria de destacar os kits de bateria do FL Mobile, bem melhores do que os do GB para iPad, na minha opinião.

O FL Mobile não soa bonito logo de início, mas há ferramentas que auxiliam bastante a melhorar o resultado final de cada timbre, como filtros, efeitos e configurações básicas sobre como determinado sample irá soar.

Aqui vai um exemplo de um pequeno teste que fiz com o app.

FL Studio Mobile HD – MusicApps by musicapps

Inicialmente a faixa soava meio sem vida. Bastou utilizar um pouco de automação de pitch e volume nas peças da bateria e acrescentar alguns efeitos para obter um resultado muito melhor.

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Baterias em destaque

Gostei bastante dos kits de bateria do FL Studio Mobile. Outra coisa bem legal é poder optar entre a interface de pads e a de Step Sequencer para gerar as suas faixas de percussão. No FL Studio Mobile tive uma das melhores experiências para criar ritmos em tempo real.

Automação de pitch e volume de peças da bateria

Nesta demonstração uso timbres do Horizon Synth, mas a parte de bateria é do FL Studio Mobile.

Horizon Synth + FL Studio by musicapps

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Público

Para quem é o FL Studio Mobile? Creio que, fundamentalmente, para os interessados em música eletrônica. Ele é uma ótima ferramenta para composições do gênero. Principalmente se você já trabalha com a versão do software para o Windows.

O FL Studio Mobile substitui o GarageBand para tecladistas que desejam utilizar o iPad como módulo de timbres? Sinceramente, não. E creio que esta jamais tenha sido a proposta.

Ele é a melhor opção para a produção de música eletrônica no iPad/iPhone? Tem potencial para se tornar. Ainda não é, pelos motivos que explico no próximo tópico.

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Versatilidade e compartilhamento

Na minha humilde opinião, toda empresa que desenvolve aplicativos musicais para dispositivos móveis deve considerar o seguinte cenário: os usuários querem mobilidade e flexibilidade. Caso contrário, estariam trabalhando em seus desktops. Partindo desta premissa, o FL Studio precisa, urgentemente, implementar alguns recursos em sua próxima atualização.

O projeto que você cria e o áudio gerado por ele só podem sair do aplicativo com o uso do computador e o iTunes. Não há a opção de envio do áudio por e-mail e nem mesmo a possibilidade de copiá-lo para colar em outro aplicativo. Só este ponto já deixa o app bastante engessado. Em tempos de iCloud, espero que essa realidade mude em breve.

Outro aspecto: o FL Studio é baseado em samples. Nada mais natural do que permitir ao usuário que importe suas próprias amostras de instrumentos. Isto também ainda não é possível, mas já foi prometido para a próxima atualização. Dois fortes concorrentes do app, o NanoStudio e o BeatMaker II, apresentam o recurso

A impossibilidade de gravação de áudio também é um recurso que faz muita falta. Somado à impossibilidade de copiar áudio do FL para o uso em outro app, o problema faz com que só seja possível gravar uma guitarra ou voz em seu projeto depois de usar o computador no processo.

A compatibilidade coreMIDI é um ponto forte. Teclados controladores ajudam bastante na gravação de suas ideias. Esta é uma limitação de outro bom app do gênero, o BeatMaker II.

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Até o momento, penso que o FL Studio Mobile é um bom aplicativo, mas com potencial para ser muito melhor. Sua chegada ao iOS tem uma importância simbólica bastante grande, se pensarmos na popularidade do FL Studio para desktop. Porém, isto não será o suficiente para torná-lo a primeira opção para criação musical dos usuários de iPads e iPhones, até que determinados recursos sejam implementados. Flexibilidade, versatilidade e mobilidade são características muito apreciadas em apps musicais para dispositivos móveis. Se até mesmo a resistente Apple liberou o recurso de “colar áudio” em seu app GarageBand, que já exportava músicas por e-mail, não acho que o caminho do FL Studio Mobile será muito diferente.

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3 Comments

  1. Vandder Lima junho 23, 2011 at 9:38 am - Reply

    Não gravar audio é dureza!

  2. Antonio junho 26, 2011 at 2:19 am - Reply

    Muito esclarecedor!!

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