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Um mês de música com o Android: leia nossas impressões

Marcus Padrini maio 31, 2011 9 Comments »

Não cheguei a comentar por aqui, mas há cerca de um mês o Smartphone que me acompanha é um Android. Sim, deixei meu iPhone de lado, pelo menos temporariamente, e resolvi viver o Android intensamente. O objetivo principal era poder julgar melhor as diferenças entre o iOS e o sistema móvel do Google, mas é lógico que decidi experimentar tudo que era título musical para o robô. O que eu achei? Você confere agora.

Antes de mais nada, é bom explicar. Assim como na App Store, a maioria dos apps musicais do Android Market é sofrível. A grande diferença é que o SO do Google ainda não chama a atenção de muitos desenvolvedores musicais mais profissionais, principalmente pela diversidade imensa de aparelhos (com suas características e limitações) que rodam o Android e pela grande dificuldade do sistema em lidar com a latência, aquele tempo que separa o toque na tela do som emitido.  Então, pelo menos por enquanto, nada de bons apps (na verdade, dispositivos) para se tocar em tempo real.

Uma das maiores vantagens de se testar apps musicais no Android é poder se arrepender das suas compras. Comprou, usou e não gostou? Cancele e não seja cobrado pelo aplicativo. Tudo direto no dispositivo, ao alcance dos dedos. Excelente, não? Mais do que isso, fundamental! No Android não é incomum baixar apps que não irão funcionar adequadamente em seu aparelho. No meu caso, com um Milestone 2 da Motorola, isto aconteceu algumas vezes. Ainda bem que pude cancelar as compras. Fica a sugestão para a App Store. Por que não deixar o usuário testar o app por alguns minutos e cancelar a compra no caso de arrependimento, ou até mesmo de propaganda enganosa do desenvolvedor? Ponto para o Android.

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Latência: o maior problema do robô

A maior vilã da música no Android é a latência. O Rodrigo Toledo (do blog rodrigostoledo.com), ao testar os dispositivos mais recentes com novas versões do Android, como Xoom da Motorola, percebeu que o problema da latência foi bastante minimizado, mas ainda não é a mesma resposta de um iPad, por exemplo. A mesma alta latência que torna impossível tocar instrumentos virtuais na tela do Android, como pianos, sintetizadores, etc, é também responsável por inviabilizar processadores de áudio em tempo real, como simuladores de efeitos para guitarra, no estilo Amplitube.

A comparação de performance entre apps, que estão disponíveis para iOS e para o Android, foi quase humilhante para o robô. Aí você me pergunta: mas será que o Samsung Galaxy S e outros smartphones mais novos já não resolveram este problema? O seu Milestone 2 é parâmetro para alguma coisa? E eu te respondo: minha comparação foi entre um Motorola Milestone 2, lançado em 2010, dono de hardware respeitável, contra um raquítico iPhone 3G. No iPhone, o NanoStudio desfilava. No Android, não dava para tocar rapidamente um simples app de piano com som horrível. Claramente temos um problema de sistema operacional aqui. O Android ainda não lida com áudio da maneira como faz o iOS, independente de hardware.

Mas, vale lembrar: como tudo do Android, as taxas de latência irão variar de dispositivo para dispositivo. Dando nome aos bois, a maioria dos dispositivos Android irá oferecer taxas de latência próximas dos 90ms! No iOS temos apps que trabalham com bem menos que 10ms, algo próximo dos bons desktops rodando instrumentos virtuais.  Esta é a diferença entre poder tocar um instrumento na tela e passar raiva tentando.

Novas atualizações do Android não param de surgir e todos esperamos que, em alguma delas, o problema seja definitivamente resolvido. A maior dor de cabeça dos donos de Android é: o fato do sistema ser atualizado não quer dizer que seu dispositivo será. Até o momento, são os fabricantes dos aparelhos decidem se os modelos irão ao não receber uma determinada atualização. Com um detalhe: isso pode demorar muito, se acontecer.

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Falta de acessórios e Hardware que é uma caixinha de surpresas

Se você tem um iPhone ou iPad, já se acostumou a poder contar com um iRig para ligar sua guitarra, Camera Connection Kit e MIDI Mobilizer para teclados MIDI, etc. Para o Android não há absolutamente nada como isso.

Você verá adiante que, aparentemente, o problema de acessórios para dispositivos Android parece estar próximo do fim. Porém, a diversidade de marcas, modelos e especificações de hardware também traz alguns problemas bem mais básicos. Confesso que quando peguei o Milestone 2 pela primeira vez, jamais poderia imaginar que um smartphone como ele seria capaz de reconhecer apenas 2 pontos simultâneos de toque na tela! Ou seja, nada de acordes aqui. Uma pesquisa mais profunda revelou que existem inúmeras diferenças de hardware entre os dispositivos que rodam Android, a maioria não afeta tanto o usuário comum, mas para a música elas são determinantes. Este é um tipo de preocupação que jamais teria no iOS. Tablets e Smartphones mais recentes com o Android já oferecem reconhecimento mais de 10 pontos de toque simultâneo na tela, mas é bom ficar de olho.

Se você vai comprar um tablet ou smartphone Android e quer fazer música com ele, é bom pesquisar tudo sobre seu dispositivo na internet até decidir pela compra. Reviews, características técnicas, etc.

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Google anuncia um mundo melhor para a música no Android


Há luz no fim do túnel.  Durante o evento Google I/O 2011, realizado no início do mês de maio, a empresa anunciou pelo menos duas novidades animadoras. A primeira é um alento para os futuros compradores de dispositivos Android. O Google e as empresas fabricantes dos gadgets que levam o Android farão acordos e irão estabelecer uma política clara sobre atualizações do sistema em Smartphones e Tablets, de forma que o usuário saberá o que irá acontecer com seu aparelho após sair da loja. Acostumado a ligar o iPhone ao iTunes e simplesmente baixar uma nova versão do iOS, confesso que este processo de atualização (ou não) do Android é aflitivo. Meu Motorola Milestone 2, por exemplo, roda Android 2.2. Ao tentar achar alguma informação sobre sua eventual atualização para a versão 2.3, me surpreendi lendo que o simples fato do aparelho ter recebido a 2.2 foi motivo de vibração e alegria pela internet. Isto não deveria ser normal.

O outra notícia pode significar uma revolução na música móvel e também em diversas outras áreas. O Google passará a permitir o desenvolvimento de acessórios USB para tablets e smartphones e, ao que tudo indica, sem graves restrições, sem muitos vínculos necessários. Usuários com certo conhecimento e desenvolvedores em geral poderão criar seus próprios acessórios USB personalizados, capazes de controlar aplicativos diversos. Você pode pensar em apps e acessórios para a academia, outros para cuidar da automação da casa e, por quê não, controladores musicais inéditos!

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CAUSTIC: boa notícia do presente

O app CAUSTIC foi uma das boas surpresas nessa minha experiência com o Android. Já pertencendo a uma nova geração de apps, o CAUSTIC lembra um pouco o NanoStudio. Sabendo dos problemas de latência do Android, a ideia não é tocar nada em tempo real, mas sim programar em tempo real. Basicamente, há uma série de instrumentos e a composição é baseada em sequenciadores.

Além de bons sons, o CAUSTIC conta também com efeitos e um mixer fácil de operar. Foi de longe a minha melhor experiência com música no Android. Veja o vídeo de demonstração do app:



Conclusões e conselho

Até começar a estudar mais sobre o Android, era completamente ignorante quanto a existência de tantas pessoas que usam o sistema do Google simplesmente por odiarem a Apple. Sabia que este perfil existia, só não sabia que eram tantos. Menos ainda podia imaginar que a coisa algumas vezes é do nível de futebol, por exemplo. Quando há alguma notícia negativa sobre a Apple, blogs e usuários de redes sociais vibram como se fosse um gol.

Se você acessa sempre o blog, já percebeu que falamos muito mais do iOS do que do Android. O motivo bem simples: por enquanto, o iOS é A PLATAFORMA para a música móvel. Nenhum outro SO móvel ou dispositivo chega nem perto do que iPads e iPhones já estão fazendo para os músicos, em diversos aspectos. E acredite, não acho isso bom. Mais opção é sempre melhor! Nada gera mais avanço do que a ameaça da concorrência.

Se você odeia a Apple, ou simplesmente deseja fazer música com um dispositivo Android, mas ainda não tem um smartphone ou tablet do robô, meu conselho é: espere um pouco mais. Acessórios podem estar vindo por aí, assim como novos dispositivo e novas versões do SO, mais capazes de trabalhar com áudio. Por enquanto, a música no Android é um ambiente árido, quase hostil. Se já possui um Android, vamos continuar publicando todas as novidades musicais sobre o SO do Google, torcendo para que, em breve, ele esteja bem melhor do que é e passe a ser uma outra opção interessante para a música móvel.

Um último detalhe: se por uma lado comprovei que o Android ainda é extremamente cru para a música, por outro descobri um smartphone capaz de suprir todas as minhas necessidades de uso comum. Me adaptei bastante ao Android. Como smartphone, o sistema tem alguns defeitos em relação iPhone, mas também apresenta muitas vantagens. Widgets, maior possibilidade de customização e mais conectividade são pontos que me farão continuar usando o Milestone 2 como smartphone principal por um bom tempo. Para a música, meus iPads e o iPod Touch 4G continuarão bem perto de mim.



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9 Comments

  1. FFGN maio 31, 2011 at 3:52 pm - Reply

    Android promissor mas ainda imaturo, tem Indamixx que acho que foi o pioneiro totalmente voltado para esse seguimento de Tablet pra músicos, tem o seu SO baseado no Meego(Transmission OS), possivel até de rodar em um modesto netbook, com um pacote de softwares o sulficiente para produção músical. Se eu não me engano, seu primeiro Tablet foi preminado na NNAM de 2007, atualmente estão trabalhando em um Tablet mais potente baseado em Win7 para rodar o Protools

    • musicapps maio 31, 2011 at 4:00 pm - Reply

      Sim, hoje mesmo mandei pelo twitter uma demonstração do Indamixx. Vou postá-lo por aqui também. :)

  2. Rafael maio 31, 2011 at 6:40 pm - Reply

    Eu acho que vai ser muito difícil bater os idevices apple nesta questão. Vejam só, a apple com o lançamento de um produto de 500 dólares, tirou do mercado um produto que custava 5 vezes mais caro e que era praticamente unanime no conceito (o JazzMutant Lemur) e eu previ isso quando ainda
    estávamos no iphone de primeira geração, tenho até aqui o software monotouch live, imaginava rodar ele em um daqueles HPTOUCHSMART (absurdamente caros) mas ou menos o mesmo conceito do Emulator que ainda não existia, na verdade o que eu imaginava na época é que a apple lançaria um iMac Multitouch mas parece que o ipad veio antes. Como citado na postagem, existe uma certa "rincha" na defesa das variações de plataformas, algo que não contribui em nada para uma conclusão empírica, e divergindo um pouco da postagem, pelo que tenho visto superficialmente nesta chuva de novos devices concorrentes do ipad, não acredito que nenhum deles leva vantagem sobre o ipad nem mesmo que seja para propósitos variados se não pelo preço. Há de se considerar que qualquer tablet concorrente da apple e que tenha uma config de hardware similar ao ipad custa se não o mesmo preço as vezes mais caro. Eu acho que o que falta um pouco para estes que denominam os "defensores" da apple como "funboys" é análisar de uma forma mais abrangente até mesmo a
    história de todas essa evolução de aparatos tecnológicos para as massas, se assim o fizer verá que a google não é páreo para concorrer com a apple. Não se trata de conservadorismo ou de negar que mudanças podem ocorrer e que num futuro a apple pode ficar para tras (acho difícil) mas…, A apple sob o comando ainda "inexperiente" de Jobs tirou a então gigante IBM do caminho, A pixar de Jobs
    dominou as animações 3d e ele é hoje o maior acionista da Disney, pra não alongar muito a trajetória o resumo é que esse cara é uma "Demonio" das estratégias tecnológicas paras massas. Quem é que conhece a fundo tanto o windows quanto o OS X e prefere o windows? Jobs não derruba Microsoft pq não lhe é conveniente, mas imagine Jobs se desgarrando da venda agregada e liberando
    oficialmente o OSX para instalar em qualquer PC, de toda forma creio eu que o windows tem os seus dias contados e que a salvação da microsoft será os Games, e outra, num futuro breve, com o avanço do projeto Idroid, qualquer proprietário de ipad podera ter os dois sistemas instalados com dualboot, algo que dificilmente acontecerá na situação conmtrária, ao menos pelas questões legais, mas assim como o hackintosh ou IPC pode acontecer e na minha concepção, sistemas open source não serve para as massas, pois tende a virar uma bagunça de versões prejudicando cada vez mais a portabilidade, e por ultimo, não me interprete mal mas este blog e sua temática, pq ele esta aqui hoje? Sem desmerecer o mérito do criador do blog eu aposto todas as minhas fichas que não foi por causa de um tablet ou smatphone qualquer com android instalado, ou seja, indiferente a variações de conceitos sobre melhor ou pior como por exemplo o citado Indamixx que ao que tudo indica tem uma estrutura dedicada a produção musical o fato é que o que chegou nas vossa mãos e que motivou o blog quer queira quer não foi um Ipad e porque foi ele que chegou até a suas mãos e não um indamixxx, um lemur da vida ou até mesmo um tablet qualquer, é ai que esta a questão se é que me entende, de qualquer forma é extremamente válido analisar o que tem na concorrencia pois não podemos jamais vestir um cabresto, mas pensso tambem que não devemos forçar como alternativas equivalentes uma alternativa que num passa nem perto numa comparação que deve englobar toda uma estrutura de suporte, marketing, logistica, história das comparadas, enfim mas uma vez peço que não me interpretem mal pois acaba sendo difícil resumir num texto o que quero aqui dizer.

    Abraço a todos e sucesso

  3. Luiz Paulo agosto 14, 2011 at 4:37 pm - Reply

    Primeiramente gostaria de parabenizar pelo site, é algo totalmente inovador (principalmente para mim) esse ramo de softwares musicais para dispositivos móveis, não esperava encontrar uma fonte em português tão ampla sobre esse assunto.
    Estou com intuito de comprar um smartphone Android, então resolvi pesquisar as opções de apps musicais, então cheguei aqui e a conclusão que o jeito vai ser esperar os "iPads nacionais" para meus gadgets musicais hehehe

    • musicapps agosto 14, 2011 at 7:38 pm - Reply

      Muito obrigado! É Luiz, as perspectivas para apps musicais no Android ainda não são muito animadoras. O contrário ocorre nos dispositivos da Apple. Acho uma pena estar desta forma. Ter mais opções seria melhor para todos.

  4. F.Soares setembro 13, 2011 at 11:55 am - Reply

    Sou obrigado a dar um "Ctrl + D" aqui he he he!!, excelente o post. Também estava nesta jornada a procura de apps musicais para o android e joguei a toalha quando descobri este probleminha de latência no Android.

    Solução: comprei um Ipad e agora estou satisfeito, meu Milestone2 véio de guerra continua ao meu lado para uma boa jogatina, uma navegada rápida ou um bate papo com os amigos, mas na hora do "Rock" ai é com o Ipad não tem jeito.

  5. Carlstrom janeiro 23, 2012 at 6:05 pm - Reply

    Só tem um problema com o iPad para editoração musical, o preço. Alguém sabe de outra alternativa de tablet com outro sistema operacional que resolva os problemas de latência?
    Abraço!

    • musicapps janeiro 23, 2012 at 7:32 pm - Reply

      Por enquanto, o único tablet a trabalhar bem com música e dispondo de tantos recursos e acessórios é mesmo o iPad.

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