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Fairlight App: qual é o preço da nostalgia?

Marcus Padrini março 1, 2011 1 Comment »

Em 1979, um equipamento surgia para mudar a maneira como se produzia música. Com dois processadores Motorola 6800, 73 teclas e trabalhando com míseros (nos dias atuais) 64 kb como memória total do sistema, o Fairlight CMI I foi o primeiro instrumento musical digital baseado em samples (amostras de sons gravados de instrumentos reais). Durante toda a década de 80 (e nas seguintes também), o equipamento e suas novas versões foram largamente utilizados por artistas de diversos estilos. Entre eles, nomes como Stevie Wonder e Jean Michel Jarre. (veja quem mais usou o Fairlight CMI)

Fairlight CMI IIx

Trinta anos depois, está para ser lançado o Fairlight App para iPad (vídeo acima), a recriação para iOS de um autêntico Fairlight IIx, com direito a todos os timbres originais da série, implementação MIDI e possibilidade de expansão para ter também os sons da série III. No vídeo de apresentação do produto, toda a trilha foi produzida utilizando o novo app para iOS. Nele também é possível ver uma comparação interessante entre a capacidade do computador que fazia o Fairlight original existir e as características de hardware atuais do iPad, infinitamente superiores.

O novo Fairlight para iOS traz um sequenciador bastante completo e uma interface bem bonita, incluindo a representação de formas de onda em 3d. Os desenvolvedores garantem que será possível comprar o app por 0,01% do valor do equipamento original. Fazendo uma conta rápida, ele deverá chegar à App Store custando algo em torno de 30 a 50 dólares (vai depender do que eles consideram como sendo o preço original).

Representação de forma de onda no Fairlight original

Aplicativos baseados em equipamentos antigos recriados, mas mantendo características originais, sempre me deixam um pouco confuso. Foi assim com o Portastudio da Tascam, que trouxe inclusive as limitações do antigo gravador Porta One para o iOS. É bonito, é legal, mas jamais trocaria o StudioTrack ou o MutiTrack DAW por ele. Neste ponto, espero que o Fairlight siga mais a linha do iMS-20 que, apesar de ser uma simulação do sintetizador analógico Korg MS-20, trouxe diversos recursos diferentes como a drum machine e o sequenciador e ainda implementou detalhes modernos que fazem a diferença, como o compartilhamento de arquivos via SoundCloud.  Afinal, muita coisa aconteceu desde 1979.

Custando 30 ou 50 dólares, o Fairlight será caro ou barato? Isto será muito pessoal. Há quem diga que isso não é nada em relação a um equipamento que custava mais de 20 mil dólares. Outros irão dizer que é caro para contar com samples e recursos inferiores aos que já existem em diversos outros apps mais baratos. O Fairlight para iPad deverá estar disponível, ainda neste mês de março, na App Store.


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