Detalhes de uma noite com o GarageBand para iPad

Como milhares de pessoas no mundo, comprei o GarageBand para iPad assim que ele chegou à App Store. Porém, não iria escrever nenhuma primeira impressão sem antes realizar bons testes com o aplicativo. Ainda mais este lançamento que gerou tantas dúvidas sobre quais recursos e funcionalidades estariam presentes.

Ontem passei a noite com o GarageBand, quase literalmente. Tirei da gaveta tudo que podia testar com ele e resolvi fazer uma gravação qualquer, que viesse na hora, para registrar timbres e um pouco do que é possível fazer com o app.

O primeiro ponto surpreendente: a qualidade dos timbres. Realmente muitos timbres legais de teclados e outros instrumentos. Porém, os sons de bateria deixam um pouco a desejar. Destaque para os timbres de Hammond e Rhodes, os melhores que já ouvi no iOS. Existem bons sintetizadores também, mas há coisa melhor fora do GarageBand.

Os Smart Instruments são mais do que simplesmente algo para quem não sabe tocar. Mudando para a interface de notas do baixo, violão ou guitarra, é extremamente confortável gravar melodias nessas interfaces. Gravar a bateria e o baixo na tela do iPad foi bem mais agradável do que fazer isso em um teclado controlador, por exemplo.

Vamos às constatações da noite:

O lado bom:

  • O GarageBand não é um brinquedo.
  • O app é compatível com CoreMIDI, via Camera Connection Kit. A latência é totalmente imperceptível.
  • Os timbres de alguns instrumentos não deixam nada a desejar em relação aos instrumentos virtuais para desktop.
  • O app é compatível com CoreAudio, como imaginávamos, e permite gravar áudio vindo de qualquer interface USB compatível, também via Câmera Connection Kit. Detalhe: em interfaces com mais de um canal, você escolhe de qual canal deseja gravar, ou se deseja fazer uma gravação estéreo.
  • O recurso de sampler é funcional para gravar seus próprios instrumentos e sons e tocá-los com o teclado.
  • Funciona perfeitamente com iRig, Ampkit Link e outros adaptadores de áudio.
  • As simulações de amplificadores e efeitos são boas.
  • Ele grava os seus instrumentos internos em formato MIDI, ideal para realizar a edição do projeto depois no GarageBand do desktop, ou até mesmo no Logic.
  • Todas as oito faixas têm controles individuais de PAN, volume, reverb e delay.
  • Ao finalizar uma gravação de áudio, você pode escolher entre alguns efeitos instantâneos, como a simulação de áudio de telefone, megafone, etc.
  • O GarageBand pode importar arquivos de áudio via iTunes.
  • A exportação de arquivos para .M4a é fantástica. Gera rapidamente um arquivo bem pequeno para envio por e-mail, a partir do próprio app.
  • É o aplicativo de produção musical para iOS mais completo e intuitivo já desenvolvido. Trabalhar com áudio, MIDI, ter samples de qualidade, poder gravar com acessórios diversos e ainda usar controladores MIDI por 5 dólares é algo surpreendente e único até o momento.

O lado ruim:

  • A sensibilidade com o acelerômetro é um brinquedo. Para tecladistas, ela não lembra nem de longe o que conhecemos como velocity em teclados com timbres ou controladores. Pouca precisão.
  • Os timbres de bateria poderiam ser melhores, ou pelo menos deveria existir a possibilidade de utilizar os seus próprios no app.
  • As telas de otimização de performance, que surgem de quando em quando, são chatas e interrompem seu trabalho por alguns segundos.
  • O GarageBand não é capaz de trabalhar com o recurso de copiar/colar (entre aplicativos).
  • Não há compatibilidade com a MIDI Mobilizer.
  • Não espere sintetizadores cheios de configurações e parâmetros. A base do GarageBand é a utilização de samples. Controles básicos de filtros e outros detalhes estarão lá, mas é só. (este nem é um ponto ruim, afinal não é esta a idéia)
  • Não há recursos para aplicar fade in e fade out nas faixas de áudio e isso é deprimente. Se há, eles estão muito escondidos e eu adoraria que alguém me dissesse onde ficam.
Tela da gravação que realizei no GB para iPad

Claro que os testes envolveram uma gravação. E fiz isso tentando usar tudo que era possível. Inicialmente gravei Hammond e Piano Elétrico com um teclado controlador MIDI M-audio, via Camera Connection Kit. Depois fiz a gravação do baixo acústico (smart instrument) e da bateria, ambos na própria tela do iPad. Com o iRig, gravei a guitarra com um efeito de wha-wha automático. Decidi colocar um efeito de arpejador na introdução e fiz isso com o NLog MIDI Synth rodando em meu iPod Touch 4G, gravado com uma interface de áudio USB Behringer e o CCK. Para finalizar, gravei a flauta com um microfone sem fio conectado ao iRig.

Veja e ouça o resultado:

Faixa com mais qualidade no SoundCloud:

GarageBand para iPad + NLog Synth + Guitar + Flute by musicapps

Número de travamentos e problemas? Zero. O teste foi realizado no iPad 1 16gb wi-fi, que trabalhou muito bem por sinal. No iPad 2, sem as chatas telas de otimização de performance (ou pelo menos com elas mais rápidas) o GarageBand deve ser ainda melhor.

Conclusão

O GarageBand parece ser o primeiro app iOS para a produção musical capaz de cuidar de todo o processo, de forma intuitiva, prática e descomplicada. Existem vários apps que fazem parte do que o GB apresenta. Alguns gravam mais faixas de áudio, outros trabalham com mais efeitos, mas todos eles apresentam alguma limitação importante, como não gravar via Camera Connection Kit, não trabalhar com MIDI, trabalhar só com MIDI e não com áudio, não ter sequer um reverb, etc.

Claro que o GB para iPad não é perfeito, faltam muitos recursos para ser aquele software de produção dos sonhos dentro do iPad, mas temos que lembrar que ele é o GarageBand, não o Logic para iOS. Aliás, tenho a versão para desktop do GB e, sinceramente, mesmo com suas limitações, achei a do iPad muito melhor para se trabalhar.

Querermos ouvir o que você achou do GarageBand! Quais são os pontos fortes? E os fracos? Mande seu comentário abaixo!

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