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Apple, usuários, desenvolvedores e o drama dos preços e atualizações dos apps musicais no iOS

Marcus Padrini março 12, 2011 2 Comments »

Nesta semana, o pessoal da Audanika teve a atualização do app SoundPrism recusada pela equipe de aprovação da iOS App Store. O motivo foi a infração de uma das normas previstas pela Apple, que proíbe o ato de privar os usuários de acessarem recursos nativos do sistema, como a utilização do Camera Connection Kit ou do giroscópio, e cobrar por esta liberação via compra dentro do app.

Na verdade, a Audanika havia decidido atualizar o SoundPrism implementando o recurso CoreMIDI sem fio, mas ele estaria disponível por compra dentro do app, custando cerca de dois dólares. A equipe de aprovação da Apple entendeu que isto era uma privação de recurso nativo do iOS e barrou a atualização.

Vídeo com a explicação do recurso e da rejeição na Apple, em inglês, feito pelo próprio desenvolvedor.

Os desenvolvedores da Audanika ficaram chateados e comentaram bastante sobre o fato ao longo da semana via twitter e blog. Acataram a decisão e resolveram lançar uma versão independente com suporte CoreMIDI.

Ontem, o ótimo blog Synthtopia comentou o assunto e manifestou claramente sua opinião sobre a questão. Segundo o autor, cobrar pelo recurso MIDI em apps musicais para o iOS seria inaceitável. Ele comparou o fato à comprar um teclado sintetizador e, ao chegar em casa, descobrir que você que tem que pagar mais alguns dólares para desbloquear as portas MIDI.

De lá para cá, a presença uma discussão generalizada nos comentários do Synthtopia, envolvendo usuários, desenvolvedores e a prórpia Audanika. A questão ultrapassa o evento da Audanika e coloca em debate um assunto que seria inevitável: políticas de preços e atualizações de aplicativos para o iOS.

No blog dos nossos amigos PalmSounds, o desenvolvedor do app NLog para iOS já havia manifestado sua opinião sobre o assunto nesta semana. Segundo Rolf, quando a Tempo Rubato estava para lançar a versão MIDI de seu aplicativo, ele considerou a hipótese de simplesmente cobrar um pequeno valor pela atualização para os usuários que já haviam comprado o app no passado. Porém, a Apple não oferece esta possibilidade aos desenvolvedores. Foi lançado então o NLog MIDI Synth e a versão anterior foi descontinuada. Outros apps já chegaram à App Store em duas versões praticamente idênticas, exceto pela funcionalidade MIDI, mas com preços bem diferentes. É o caso do Crystal Synth. Isso não seria a mesma coisa do que fazer a venda do recurso dentro do app?

Crystal Synth para iOS

A situação é complicada. Se por um lado existem usuários que se adaptaram a uma cultura em que acredita-se que, ao comprar um app de 2 dólares, você deverá ter direto à atualizações gratuitas para sempre, de outro há desenvolvedores que desejam melhorar seus produtos, mas que precisam lucrar com o trabalho. Não é difícil entender o número imenso de apps que nunca têm uma atualização significativa, se os desenvolvedores simplesmente não podem cobrar por elas.

Certos desenvolvedores são criticados pela postura que adotaram neste mercado. Algumas empresas parecem ter compreendido que, para ter bons resultados na App Store, o segredo é preparar cada lançamento como se fosse o último, investir pesado no marketing e fazer muito barulho nas redes sociais. Quando o app é lançado, ocorre a venda em massa por alguns dias. Dali em diante, começam a pensar no próximo app.

O curioso é que, pelo menos na minha opinião, a solução não é das mais difíceis e está nas mãos da Apple. A cobrança opcional das atualizações, a ser decidida pelos desenvolvedores, só iria favorecer este mercado. Seria muito bom inclusive para os usuários.

SoundPrism para iOS

Ok, não torça o nariz ainda. Reflita comigo. Um desenvolvedor faz um bom app musical (ou de qualquer outro gênero mais segmentado), com funcionalidades bem básicas. Mesmo assim, ele fica bastante popular e torna-se um sucesso de vendas. Este app foi vendido por 2 dólares e, na ocasião, gerou um bom dinheiro para o profissional. A partir daí, algumas atualizações do app surgem com correções para bugs e pequenas melhorias de funcionalidade.

O tempo passa e uma nova possibilidade do iOS é oferecida aos desenvolvedores para implementarem novos recursos incríveis em todos os apps musicais. Porém, esta implementação exige trabalho, várias horas ou dias ajustando linhas e mais linhas de código, fazendo programa de testes com voluntários, etc.

Se seu mercado é segmentado e você já é um sucesso de vendas, por mais que a comunidade musical do iOS esteja crescendo, você já atingiu parte muito significativa deste universo com aquele app. O que fazer? Investir tempo e energia em uma atualização que trará alegria a muitos e o dinheiro de poucos? Ou criar um app novinho, com uma nova cara e o novo recurso para atingir todo mundo outra vez? Antes de responder, leve em consideração que isso é trabalho e não caridade.

Talvez uma atualização cobrada, custando ao usuário míseros 50 cents, seria o suficiente para motivar a atualização do app antigo e continuaria deixando usuários felizes por terem um aplicativo antigo em plena forma por um valor tão baixo.

Neste modelo, o bom senso do desenvolvedor e o feedback dos usuários seriam o equilíbrio para a eventuais cobranças. Pequenas atualizações continuariam gratuitas. Para evoluções significativas, um valor qualquer a ser definido pelo desenvolvedor e julgado pelos seus usuários. A ferramenta de review da App Store é boa. Não demoraria mais do que alguns minutos (e algumas pessoas corajosas e desprendidas materialmente) para ler se tal empresa está exagerando, se a atualização vale ou não o valor em questão, etc. Além disso, surgiria um novo argumento de venda plenamente aceitável. Desenvolvedores poderiam lançar seus apps incluindo no pacote X meses (ou até anos) de atualizações gratuitas, ou já garantindo determinadas funcionalidades futuras sem nenhuma cobrança.

Se você chegou até aqui neste texto , gostaria muito de saber a sua opinião! Você acredita em apps de 4 dólares com atualizações gratuitas e sensacionais para sempre? Acha que a política de atualizações com cobrança opcional por parte dos desenvolvedores poderia funcionar? Alguma outra sugestão? Mande seu comentário abaixo.


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