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Marcos Kleine (Ultraje a Rigor) fala sobre guitarra, tecnologia, apps musicais e o iRig

Marcus Padrini fevereiro 10, 2011 3 Comments »

Marcos Kleine é guitarrista do Ultraje a Rigor e da banda Vega. Atua também como compositor de trilhas sonoras e produtor musical. É torcedor fanático do Palmeiras, reconhecido pela versão de guitarra que fez para o hino do clube.  Apaixonado por música desde os 10 anos de idade, quando aprendeu a tocar bateria sozinho, dedicou-se intensamente à guitarra e, desde a adolescência, participou de diversos projetos musicais interessantes. Recentemente, esteve envolvido nos trabalhos da Fabulosa Orquestra de Rock’n’Roll, banda idealizada por Roger do Ultraje , e do G80, com a participação de vários nomes como Leoni, Ritchie, Paulo Ricardo, Nasi e outros.

Descobrimos que Marcos Kleine também gosta muito de tecnologia e já está se aventurando pelos aplicativos musicais com seu iPhone 4G. Já utiliza o iRig, o Amplitube para iPhone e diversos outros apps. Tive a oportunidade de conversar com o músico na passagem da banda Ultraje a Rigor por Belo Horizonte, no último final de semana, em uma entrevista bastante divertida e agradável. iPad e iPhones na mesa e muita conversa sobre música e tecnologia.

Antes mesmo de começarmos o papo, Kleine já havia me surpreendido com sua vasta coleção de apps musicais no iPhone e também com a utilização que tem feito do Amplitube, carregando no aplicativo tracks para estudo e aquecimento. “A gente algumas vezes até esquece que isso liga para as pessoas.” foi uma das frases que disse e que define bem o uso seu iPhone 4G para a música.

Agora, você confere como foi esta conversa e fica sabendo um pouco da experiência e também das opiniões de Marcos Kleine sobre aplicativos musicais, guitarra no iPhone, gravação de guitarra no computador e muito mais.

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MA: Como você conheceu a possibilidade de fazer música no iPhone?

Marcos Kleine: Primeiro teve a questão do iPhone. Começou logo que entrei no Ultraje. Eu tinha um celular arcaico e o Roger dizia “você tem que ter um iPhone”. Na minha outra banda (Vega) a vocalista dizia a mesma coisa. Depois que me acostumei com o iPhone, vi o Amplitube e pensei “tenho que ter isso aí!”. Logo que o iRig foi lançado, pedi a um amigo que trouxesse dos EUA pro Roger e para mim. Acho que fomos os primeiros do Brasil a ter o iRig!

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MA: Geralmente você utiliza o iRig e o Amplitube em quais situações?

Marcos Kleine: É mais para ensaiar, mas já fiz a participação no show da banda de uns amigos tocando com o iPhone, iRig e Amplitube e foi tudo tranquilo. No Ultraje não considero usar ao vivo porque uso muitos timbres. As mudanças seriam complicadas. Se vier um acessório, tipo um pedal para fazer isso, aí é diferente.

Amplitube, iPhone e iRig

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MA: Você chegou a usar equipamentos portáteis para a simulação de amplificadores e efeitos de guitarra, como o POD e o V-amp?

Marcos Kleine: Eu tenho o PODxt, mas uso ao vivo apenas os efeitos dele, sem a simulação de amplificadores. Comprei o POD quando tocava com o Leo Jaime e estava maravilhado com o mundo da simulação. Cheguei a comprar uma caixa da Behringer de 4 falantes de 12″, uma potência Peavey e o PODxt era o amplificador. A distorção nunca foi aquela coisa e, além disto, era muita coisa para carregar. Usei este setup no DVD Anos 80: Multshow Ao Vivo. Mas ainda não arrisco tocar somente com a simulação no palco.

Line 6 PODxt

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MA: Em relação aos simuladores menores, como o Pocket POD, você acha que a solução com o iPhone já é melhor?

Marcos Kleine: Ah é, muito melhor! Acho que o sinal do Amplitube no iPhone é diferente, é mais limpo. Se fosse escolher um… Aliás, eu já escolhi!

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MA: Você me mostrou a gravação da faixa Eclipse, na qual realizou um solo final com o iRig + Amplitube e gostei bastante do resultado. A dinâmica, os harmônicos, tudo parece estar ali. Como é a questão dos timbres de guitarra no Amplitube para iPhone?

Marcos Kleine: No Amplitube para desktop eu já tenho meus timbres favoritos. Daí, tentei seguir a mesma lógica na versão do iPhone. O pessoal da IK Multimedia chegou até a dar RT na música. Eles gostaram do resultado.

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MA: Qual é seu setup atual para o palco ?

Marcos Kleine: Tube Screamer , Pro CO da RAT e a combinação de ambos para solo. Um booster que mandei fazer, alguns efeitos do POD e dois amplificadores. Toco em estéreo.

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MA: No seu site é possível ouvir muita coisa do seu trabalho. Você estava me dizendo que o computador já faz parte de todo o seu processo de produção. Hoje você já não grava a guitarra daquela maneira tradicional, com amplificador microfonado, certo?

Marcos Kleine: Olha, já tem muitos anos que não gravo assim. A última vez que gravei com amplificador… eu nem lembro. É como comentei com você, com o computador, você grava e depois altera o que quiser. Troca efeitos, amplis, etc. O amplificador é legal, mas hoje em dia, as pessoas já não sabem se um trecho foi gravado no Amplitube ou em um ampli. Outra coisa é que, quando você tinha que gravar com o amplificador, havia um grande desgaste psicológico e auditivo. Achar o som pensando “tenho que fazer o som que vai ser o final para o disco” era complicado.

Com o Amplitube no computador, você toca com mais conforto e depois, se precisar, altera na mix efeitos e amplificadores, com a performance preservada. Muita gente já faz isso. O Luiz Carlini, uma das lendas da guitarra e do rock no Brasil, também já comprou a idéia. Aquela coisa de falar “não há nada como um amplificador”, tudo bem, cada um vai na sua onda. Mas se estas pessoas se permitissem conhecer essa outra possibilidade, veriam que não há tanta diferença assim.

Amplitube para Desktop

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MA: Vi que você tem muitos apps musicais no iPhone, inclusive bons afinadores. Eles deixaram mais fácil a vida na estrada?

Marcos Kleine: Sim. Para tocar alguma coisa no quarto do hotel, fazer o aquecimento do show e já chegar com a guitarra afinadinha. Lembro que antes de entrar para o Ultraje, precisei substituir o guitarrista da banda em uma ocasião. Tive que tirar 20 músicas durante a viagem. Na época a solução foi a guitarra, um iPod com as músicas e um ampli miniatura da VOX. Tudo balançando nas curvas da estrada. Fico pensando, com o iPhone teria sido muito mais fácil.

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MA: Já pensa também em carregar um iPad por aí?

Marcos Kleine: Vendo o seu aqui, com certeza dá vontade. Mas ainda acho o preço um pouco alto e esta coisa da Apple lançar novas versões todo ano, com características diferentes, acaba desanimando um pouco. Se saírem pedais controladores exclusivos para o iPad, aí pode ser o caso de considerar.

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MA: Sempre falamos no blog que o legal é usar o iPad/iPod Touch/iPhone para complementar aquilo que você já usa, contando com novos recursos. Porém, as pessoas adoram perguntar se eles já podem substituir os instrumentos reais. Há alguma possibilidade, na sua opinião?

Marcos Kleine: Para guitarristas, tirando a parte de efeitos, não. Acredito que seja, por enquanto, mais fácil para tecladistas. Teclado é mais fácil de ser virtual, guitarra não. Porém, é difícil falar sobre isso. A gente nunca sabe o que os caras vão inventar. Você fala uma coisa hoje, amanhã já pode ser outra. Como efeito, eu aconselho todo guitarrista a ter um iRig. Se for tocar em um lugar menor, com equipamento que não é muito bom, leva o iRig e o iPhone que eles resolvem o problema.

Conheça mais sobre o trabalho e a história de Marcos Kleine no site oficial do músico.

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3 Comments

  1. Danilo Correa junho 27, 2012 at 1:44 am - Reply

    Muito interessante! Uso o amplitube 3 para desktop desde que foi lançado para gravar trilhas e estudar em casa. A tendencia desse software é se popularizar cada vez mais, pois realmente é muito bom. E em relaçao ao uso, é muito relativo. Mas sem duvidas, para algo tão portátil, nao existe nada melhor. Muito boa a faixa do Marcos. Realmente ele toca muito. Gostei da dica do Breno Roncini logo acima, a técnica que ele citou é a união da tecnologia ao tradicional, a fome com a vontade de comer.

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