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Ilan Kriger fala sobre as possibilidades do iPad para DJs (Entrevista)

Marcus Padrini fevereiro 1, 2011 2 Comments »

Ilan Kriger é DJ, produtor musical e entusiasta das novas tecnologias. Além de ter um vasto currículo no trabalho de tocar nas baladas, participações em inúmeros projetos e lançamento de suas produções, Ilan está, desde 2004, à frente da Academia Internacional de Música Eletrônica (AIMEC), um verdadeiro centro de formação de DJs, com unidades em Curitiba, Balneário Camboriú e Campinas.

Desde 2008, comanda seu site que é fonte de informação sobre música eletrônica e tecnologia para usuários de todo o Brasil. Por lá, além de notícias e artigos, apresenta tutoriais sobre diversas ferramentas importantes, como o Ableton Live.

Recentemente, lançou também um novo projeto, o VipeClube, um site que utiliza a compra coletiva para a realização de shows de música eletrônica.

Usuário do iPad ao vivo, em seu trabalho como DJ, Ilan falou ao MusicApps sobre música eletrônica, possibilidades do o iPad para DJs, seus apps favoritos e também sobre como vê a importância que os tablets já têm e terão no trabalho de artistas e profissionais do meio.

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MA: Sabemos de seus trabalhos como DJ, produtor e professor. Além disso, seu blog funciona como fonte de informação para milhares de pessoas interessadas em música eletrônica, todos os meses. Sempre notamos por lá a presença de novas tecnologias em suas matérias, equipamentos até então pouco utilizados por DJs, como o iPad.  Como aconteceu este contato e quando foi que você se interessou por estas novas possibilidades?

Ilan Kriger: Inicialmente eu gostaria de agradecer esse espaço – o http://musicapps.com.br/ é um dos meus sites preferidos, é uma grande honra ser entrevistado aqui.

Quanto a minha “veia tecnológica”, acredito que muita gente deve olhar para o meu site e pensar que eu sou o cara mais nerd do mundo (ou um dos mais).

No começo da minha carreira eu tinha muito preconceito com novas tecnologias, há 10 anos para mim, DJ que era DJ de verdade, tinha que tocar com vinil – cheguei naquela época a sair da pista, mais de um vez, quando um artista resolvia tocar com CD.

Foi só em 2004, com boa parte da indústria do vinil fechando as portas (distribuidoras/lojas/selos) que eu fui obrigado a começar a tocar com CD – naquela época já comecei a usar novas tecnologias (fui o primeiro DJ do Brasil a tocar do DVJ) e, em 2007, passei a tocar apenas com computador. Depois disso foi um pulo para incluir em meus sets os controles do Wii, AudioCubes e o iPhone.

Gosto de experimentar coisas novas e de me arriscar um pouco, mas realmente só continuo usando uma ferramenta se eu sinto que ela é legal para mim e principalmente para o público.

Eu adoro o iPad porque ele é muito versátil. Basicamente, em cada apresentação eu invento algo diferente. Ou ele só controla o Traktor via TouchOSC, ou uso como um sintetizador no MorphWiz ou até mesmo utilizo o gadget como um espelho do meu monitor via Air Display (para que o meu parceiro no projeto Webbep (@jamesfeller) possa saber o que eu estou fazendo).

Ilan Kriger

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MA: Como o iPad e outros novos dispositivos estão presentes hoje em seu equipamento?

Ilan Kriger: O aplicativo que eu mais uso é o TouchOsc, com ele eu controlo o Ableton ou o Traktor via Osculator (software para Mac que transformas as informações OSC em Midi). Acho ele muito prático por que é possível criar a sua própria interface – não dependendo da quantidade de botões, faders, knobs, labels e páginas.

Já usei muito o Griid e Touchable para controlar o Ableton Live – adoro o conceito do sintetizador Morphwiz (principalmente agora que ele também será controlador Midi).

Acho ele um bom brinquedo para DJs (Djay) e para produtores (NanoStudio) – mas eu ainda sinto falta de um aplicativo que possa ser considerado o toca-disco do iPad – algo que quebre paradigmas e que mostre uma forma realmente diferente e inovadora de se tocar e fazer música.

Acho que esse é o motivo que eu gosto tanto de acessar o MusicApss – estou ainda a procura o meu aplicativo “messias”.

TouchOsc para iOS

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MA: Os novos aplicativos musicais para iOS não param de surgir. Para djs, os mais comentados são o Touchable e o Griid. Como você avalia a qualidade destes apps atualmente? Eles podem ser levados a sério?

Ilan Kriger: Eu acho que esses Apps para controlar o Ableton Live ainda são um pouco pesados e só 98% confiáveis, mas mesmo assim recomendo como uma forma alternativa e barata de controladora MIDI.

Conheço parte da equipe que desenvolve o Griid, acredito que o trabalho deles vai mudar a forma de se tocar música no Ableton Live – eles tomam muito cuidado no desenvolvimento de cada função adicionada ao App.

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A extinta Jazzmutant Lemur

MA: Para esta finalidade, o iPad é bastante parecido com um controlador, agora extinto, chamado Lemur. Você parecia prever que este produto tinha os dias contados. Afinal, o iPad matou o Lemur?

Ilan Kriger: Com certeza!! Teve gente me xingando quando eu fiz um artigo falando sobre isso (antes do Steve Jobs terminar a palestra de lançamento do iPad). Mas estava na cara, que pelo preço de entrada de U$500,00, qualidade que a Apple tem nas suas telas de multi-toque e a quantidade de aplicativos que já estavam presentes no iPhone, que o iPad se tornaria uma alternativa excelente à também ótima, mas muito cara, Lemur.

No geral, nós todos temos muito medo de qualquer mudança – eu mesmo tive na época do vinil.

Acredito que, em pouco tempo, os iPad e outros tablets multi-toque vão ser quase tão comuns como telefones. Isto vai facilitar o desenvolvimento de aplicativos (mais gente comprando) e novas ideias (mais gente criando e usando) de se fazer e tocar música.

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MA: Recentemente surgiram apps que começam a simular alguns hardwares fundamentais do trabalho do DJ, como o Djay da Aldoridgim. Até que ponto você acredita que as superfícies multi toque poderão substituir o hardware convencional?

Ilan Kriger: O Djay faz, com excelente precisão, muitas das funções do Traktor, Serato e Virtual DJ. Tenho certeza que ele já pode ser usado para substituir qualquer software ou hardware, isso só não acontece pois o público – e principalmente os DJs – ainda tem preconceito em relação a isso.

Acho que o próximo passo de empresas como Native Instruments/Serato/Ableton é o de fazer controladores para os seus softwares no iPad (como a Virtual DJ acabou de fazer). Acho que, em pouco tempo, os tablets vão ter capacidade de processamento para rodar qualquer software que roda agora no seu desktop ou laptop.

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MA: Muitas pessoas afirmam que o iPad irá se consolidar como ferramenta musical quando, após ter deixado de ser a novidade do momento, estiver presente nos equipamentos de trabalho do DJ de forma mais discreta.  Qual é sua opinião sobre a presença dos tablets na performance do dj?

Ilan Kriger: Ele vai se popularizar quando os principais artistas começarem a usar. Isso já está lentamente acontecendo.

O Fabrício Peçanha, que é o Dj número 1 do Brasil, está se apresentando com o Traktor + Placa de som (audio 8 DJ) + 2 iPads rodando o TouchOsc com templates personalizadas.

Um outro artista que está usando com sucesso um par de iPads é o mestre Dudu Marote. Não vai demorar muito para os outros DJs seguirem a tendência.

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MA: Como professor e dj, você acredita que aplicativos como sequenciadores, sintetizadores e drum machines, rodando em smartphones e tablets poderão trazer pessoas novas para a música eletrônica, tanto apreciadores como profissionais?

Ilan Kriger: 100%, não tenho nenhuma dúvida disso.

Se você pensar friamente, os sequenciadores não evoluiriam quase nada nos últimos 10 anos (depois do lançamento do Ableton Live). Se você comparar dois softwares como o Photoshop (editor de imagem) e o Soundforge (editor de áudio) – fica claro essa diferença. Se no primeiro, com facilidade, você deixa uma modelo magra e sem rugas, no outro, não é tão simples assim engordar um grave e muito menos de tirar uma distorção.

Os desenvolvedores de aplicativos para tablets, quando começarem a pensar na interface de uma forma diferente, vão poder ser o motor de uma grande revolução musical digital.

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MA:  Publicamos aqui um prognóstico do Blog Synthtopia sobre a música eletrônica na próxima década. Um dos tópicos era sobre como os dispositivos de detecção de movimento poderão ser usados por DJs para gerar interação entre a música tocada e a agitação das pessoas, por exemplo. Você acredita que acessórios como wiimote e o Kinect poderão ser ferramentas de trabalho?

Ilan Kriger: Sim e não. Já usei muito o Wii, mas atualmente acho meio batido e sem graça (não causa mais surpresa em ninguém em uma casa noturna).

O Kinect tem um potencial bem interessante, mas ele não é muito propício para o ambiente de pista de dança (a luz do local interfere na detecção do movimento). Eu comprei um, mas ainda nem tirei da caixa, pois não encontrei aplicativo que valesse a pena.

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MA: Arrisca as suas previsões para a próxima década na música eletrônica?

Ilan Kriger: Próxima década são duas eternidades na velocidade que o mercado digital cresce.

Acho que fica melhor comentar sobre os próximos dois anos. Acredito que o iPad, produção colaborativa on-line, áudio e vídeo e DJ como músico (controlerismo) são as grandes tendências.

Mas, de qualquer forma, o que vence no final é boa música tocada em alto e bom som.


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