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NAMM 2011: a entrada definitiva do iPad na música

Marcus Padrini janeiro 21, 2011 1 Comment »

Menos de um ano. Este foi o tempo que o iPad levou, desde seu lançamento, para entrar definitivamente no mundo da indústria musical. Não é difícil perceber. Basta visitar qualquer site que fez a cobertura da NAMM 2011, nos Estados Unidos, para conferir que grandes fabricantes já perceberam que o tablet da Apple é sim uma boa plataforma para o lançamento de produtos musicais. O blog Synthtopia fez inclusive uma matéria especial sobre o assunto, chamando a NAMM 2011 de “A NAMM do iPad”.

Talvez as feiras de música e tecnologia nos EUA estejam apenas consolidando algo que já vinha acontecendo. Desenvolvedores não demoraram a perceber que a tela multi-toque de 9,7 polegadas seria promissora para a criação de novos apps musicais, com interfaces mais ricas e maior tocabilidade do que em iPhones e iPods Touch.  Surgiram ótimos aplicativos e os vídeos da internet começaram a chamar a atenção para o tablet como ferramenta musical.

iRig da IK Multimedia

Mesmo com as limitações de utilização dos recursos de hardware e software impostas pela Apple, algumas empresas começaram a desenvolver acessórios bastante criativos para melhorar a performance do iOS para músicos. Um dos mais importantes, sem dúvida, é o iRig da IK Multimedia, a primeira abordagem profissional para fazer a ligação de guitarras e outros instrumentos em qualquer iGadget.

MIDI Mobilizer Line 6

Outro acessório importante é a MIDI Mobilizer da Line 6, a primeira interface MIDI para iOS.

Não demorou para que apps simuladores de efeitos para guitarra, sintetizadores controlados via MIDI e soluções de gravação, exclusivos para o iPad, começassem a aparecer na App Store.

Usuários descobriram que a porta dock do iPad guardava algumas possibilidades interessantes para a música. Com o acessório Camera Connection Kit, começaram a ligar interfaces de áudio USB ao iPad. Muitas funcionaram perfeitamente.

Na minha opinião, o momento que acelerou todo o processo, foi o lançamento do iOS 4.2 com a compatibilidade nativa MIDI. No caso do iPad, esta nova versão traria a possibilidade de conexão MIDI sem fio e via USB. Ao fazer isto, a Apple sinalizou aos desenvolvedores e fabricantes que estava aprovando todas as novidades musicais surgindo para o tablet e deu sinal verde para que novos acessórios e aplicativos, com muito mais recursos, fossem criados para o iPad.

A popularidade do tablet em todo mundo, as atraentes possibilidades da App Store, o sinal verde da Apple para o desenvolvimento de acessórios musicais e a demanda de músicos buscando mobilidade e inovação resultaram no que pudemos ver na NAMM 2011: muitos lançamentos envolvendo o iPad.

Studiodock da Alesis

Para confirmar tudo isto, é bom dar uma olhada em alguns fatos isolados. Durante 2010, o Gorillaz gravou um álbum usando iPads, a KORG lançou importantes aplicativos para o tablet, DJs e músicos começaram a utilizar o iPad ao vivo e um dos tecladistas mais famosos do mundo, Jordan Rudess, investiu na utilização do iPad no Palco e no desenvolvimento de apps para o iOS. Agora em 2011, a Alesis lança o StudioDock, uma interface de áudio e MIDI para o iPad, começam a surgir os primeiros pedais de guitarra para o gadget, teclados controladores e sintetizadores inteiramente concebidos para o tablet e, por fim, a maior fabricante de sintetizadores analógicos do mundo, a Moog, irá oferecer como prêmio, em um concurso de sua fundação, um instrumento musical que mistura sintetizador analógico, um computador Mac mini e 2 iPads, o OMG-1. Produto que, aliás, já traz no nome a frase da reação de muitas pessoas no momento que o conheceram (Oh My God!).

synthstation49 para iPad

2011 nem começou direito e as novidades não param de chegar. Novos sintetizadores para o tablet estão surgindo, assim como apps de notação musical que prometem ser revolucionários. Se muitos apostam que 2011 será o ano dos tablets, eu aposto que, pelo menos na música, este será o ano do iPad. A fragmentação do Android, pelo menos por enquanto, torna lentos o desenvolvimento e a demanda de apps musicais. Os tablets com Windows ainda estão começando. De nada adiantará novos modelos, hardwares e sistemas operacionais diferentes, se desenvolvedores, músicos e a indústria não enxergarem neles uma real possibilidade para a música. Com o iPad já aconteceu.

Como em todo início de ano, os possíveis compradores de iGadgets estão indecisos: comprar agora o iPad ou esperar pelo novo modelo? Mesmo se for anunciado em fevereiro ou março, o iPad 2 deverá demorar um pouco para chegar ao Brasil. Vamos ver o que o modelo novo nos reserva. Aposto em melhorias não tão significativas para a música. Talvez a melhoria de processador e mais memória. O fato é que 100% das novidades anunciadas na NAMM e também aqui no diário do MusicApps foram feitas para a versão atual. Então, seja com o modelo que está no mercado, seja com o novo modelo, opções para a música não irão faltar por um bom tempo.  Basta lembrar do iPhone 4G. Desde seu lançamento, quantos aplicativos musicais realmente sensacionais apareceram compatíveis apenas com o novo modelo? Agora não me lembro de nenhum. Desenvolvedores e fabricantes focam em inovação, mas não há como desconsiderar os 14 milhões de iPads de primeira geração vendidos até este mês de janeiro.


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