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Eu só queria 20 min com o pessoal do Pato Fu! (Atualizado)

Marcus Padrini janeiro 27, 2011 3 Comments »

Não, eu não sou um grande fã da banda, mas logo você irá entender o título do post. O G1 publicou hoje uma matéria com os mineiros do Pato Fu, encarando um tal “desafio do iPad”. A idéia era tocar uma música com o tablet e depois dizer se o dispositivo da Apple já pode substituir todos os instrumentos de uma banda, com qualidade.

Ok, antes de continuar, gostaria de pedir que você lesse a matéria completa do G1, assistisse os vídeos e depois continuasse lendo este texto.

Leu? Bom, se você acompanha o MusicApps, deve ter percebido alguns pequenos problemas nas informações que fundamentam o texto da matéria. A frase mais complicada é:  “O computador da Apple em forma de prancheta (tablet), que funciona com uma tela sensível ao toque dos dedos, tem circulado nas mãos de músicos desde pelo menos dezembro do ano passado, quando os britânicos do Gorillaz anunciaram que estavam compondo um disco inteirinho com o gadget – e entregaram em seu site o mapa da mina (isto é a lista de software necessários) para quem quisesse fazer igual.”

Já falamos que músicos estão usando o iPad desde julho do ano passado, mas a pior parte é, mais uma vez, ler a afirmação de que o Gorillaz usou apenas o iPad para gravar e compor seu álbum atual. Na mesma página oficial da banda em que há a lista dos apps usados nas músicas, há também a clara informação de  que diversos outros equipamentos, como sintetizadores reais e um bom e velho violão, foram utilizados na composição e também na gravação do trabalho. Muita gente, infelizmente, não leu.

Para não falar mais nisso:

“All tracks written and performed by Gorillaz using the iPad and additional instruments: Korg Vocoder, Ukelele, Microkorg, Omnichord, Moog Voyager, Melodica, Guitar, Piano, Korg Monotron…” (Fonte: http://thefall.gorillaz.com/)

Superado este ponto, vamos ao “desafio” propriamente dito. Que teste foi esse? Pegar uma banda em que ninguém nunca tocou com iPad, entregar um na mão de cada e falar “toca aí gente! Depois vocês me falam se é igual aos instrumentos que vocês já tocam há 20 anos”?

Outro detalhe. Segundo o texto, a reportagem convocou dois experts no assunto. Experts em qual assunto? Fazer música no iPad? O pessoal do Pato Fu nem nunca havia tocado com o tablet na vida. No máximo o John já havia experimentado apps sequenciadores e outros do gênero, em seu iPhone.

Resultado? Uma interpretação ligeiramente constrangedora descontraída de uma das músicas da banda e comentários nada positivos sopre o iPad substituindo os instrumentos tradicionais (e de onde foi que tiraram esta idéia?).

O motivo do título do post? Posso estar enganado, mas acho que se tivesse 20 minutos com o pessoal do Pato Fu, conseguiria mostrar que as possibilidades musicais do iPad já vão muito, mas muito mesmo, além de apps que têm peças de bateria na tela (nada contra). O iPad, com bons apps musicais, alguma prática e eventuais acessórios, pode ser mais interessante e tocável do que vários brinquedos utilizados pela banda em seu último projeto.  Poderia ficar aqui um bom tempo listando exemplo de vídeos que já postamos aqui no blog.

O tecladista da banda disse que isso (tocar com o iPad) é a “decadência total do Rock”. Lembrei do Jordan Rudess, do iMS-20, do StudioDock, do iRig e de diversos lançamentos da NAMM 2011 relacionados ao tablet. Não condeno a opinião, baseada em uma única experiência. Me entristecem apenas a falta de informação e também a pobreza do “desafio” do iPad, promovido pelo pessoal do G1. A Apple cedeu os dispositivos para o teste.

Um blog do mesmo grupo (o Soul Sessions, de Jamari França, no portal O Globo ) foi bem mais feliz ao falar do tablet, inclusive citando vários artigos daqui.  Lá, eles leram que o Gorillaz usou outros instrumentos além do iPad.

Ah, ontem fez um ano que o tablet foi anunciado. Naquela ocasião, o comentário que mais líamos é que o dispositivo foi o maior erro da Apple, que serviria apenas para consumir conteúdo, que era um iPod Touch/iPhone gigante. Muita gente teve que rever conceitos meses depois.

[Atualizado] Pelo que tenho lido nos comentários, gostaria de deixar um ponto bem claro aqui. O objetivo deste post foi, desde o início, mostrar a maneira equivocada (na minha opinião) como foi realizado o teste do iPad como ferramenta musical, proposto pelo G1.  Em nenhum momento estou criticando a banda Pato Fu, seus músicos, ou seu trabalho. Quem conhece um pouco a banda sabe de seu envolvimento com a música eletrônica, incluindo a utilização do inusitado Theremin em uma de suas músicas. Apenas acho que eles não tiveram chance de testar e ver o real potencial do iPad para a música, daí o título do post. As opiniões e frases vieram a partir desse teste fraco. Resumindo em uma frase: este é um post criticando a cobertura do jornalismo de tecnologia, nunca desmerecendo ou fazendo juízo de valor da banda em questão.

É óbvio que, mesmo após ver tudo que o iPad tem de melhor, os músicos do Pato Fu, ou de qualquer outra banda, poderiam sim não se animar com absolutamente nada sobre o tablet. A crítica é sobre como a coisa foi realizada. Mais uma vez na minha opinião, um teste fraco e pobre de conclusões, do qual a banda não tem a menor culpa.

Também respeito a liberdade de todos os comentários aqui no MusicApps, desde que eles sejam feito com o devido respeito. Opiniões diversas são sempre bem-vindas.


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