Entrevistas, Matérias, Notícias, Outros Dispositivos

Entrevista: Mary Fê fala sobre fazer música no Nintendo DS

Marcus Padrini janeiro 22, 2011 1 Comment »

Mary Fê é artista sonora e performática, compositora e “auto-intérprete”. Tocou guitarra na banda eletrônica Gerador Zero, fez parte de algumas bandas performáticas, como a Pelúcia Fuckcia, e trabalhou durante 8 anos fazendo som para um estúdio de animação, que hoje se chama 2DLab. Adora gadgets e equipamentos de som e se interessa, especialmente, por tecnologia lo-fi e portátil.

Com este histórico, Mary Fê se interessou por chipmusic. Aos poucos foi pesquisando e descobrindo que era possível fazer dos pequenos consoles, instrumentos incrivelmente divertidos, com uma série de possibilidades bastante sofisticadas a um preço relativamente acessível. Atualmente, entre outros projetos, apresenta a performance Meu Terrorismo de Bolso e tem planos para um bloco carnavalesco, usando apenas  pequenos dispositivos e amplificadores na lata (com a colaboração de Samir Cury), para o próximo carnaval do Rio, o Bloquinho LoFi De Carnaval.

Nesta entrevista ao MusicApps, Mary Fê fala sobre como é utilizar o Nintendo DS para fazer música e conta um pouco da sua relação com a música móvel.

MA: Como você descobriu a música no Nintendo DS e como ele foi parar no seu projeto?

Mary Fê: O Nintendo DS surgiu por um amigo de faculdade (sou formada em Comunicação Social pela UFRJ), um gamer fanático que comprou um DS branquinho para ele e um preto para namorada. Ele levava o jogo pra todo canto e, quando descobri que existiam jogos musicais, pirei! Ele me ajudou a comprar meu primeiro DS Lite (que uso até hoje nas performances) num fórum de games usados. Precisei de uma ajuda iniciática pra esse primeiro passo no mundo dos garotos e seus games, mas agora já assessoro minha sobrinha de 8 anos na compra de jogos e passcards. Encomendei um DSi, que já está chegando em fevereiro, com um amigo que vem de fora. Um outro amigo me deu seu gameboy cinzinha com problema na placa de som. Quero muito desmontar pra tentar fazer bending, mas ainda não tive coragem. E, claro, sim, estou louca para por as mãos no nintendo 3DS!

MA: Quais aplicativos você tem usado? Cite os seus favoritos?

Mary Fê: O Electroplankton foi meu primeiro jogo musical, comprei numa loja de games no Centro da cidade. Moro no Rio de Janeiro. Usei pra fazer alguns sonzinhos na minha demotape Solucionática. Se alguém descobrir onde estão, ganha um CD de brinde! haha

O Korg DS10, q simula uma workstation inteira, com sintetizadores, efeitos, bateria. Comprei de um amigo que encomendou de um site japonês, ficou com preguiça de aprender a mexer no jogo e me repassou a preço de custo. É preciso ter mesmo alguma intimidade com os sistemas sonoros tipo workstations para não ficar muito tempo perdido no DS10. Mas, uma vez aprendido o raciocínio, é super rápido e prático para compor. Fiz a base da minha performance Meu Pequeno Terrorismo de Bolso com ele, em uma noite.

Pesquisando aplicativos gratuitos, descobri muita coisa. Fui experimentando e cheguei a alguns de que eu gosto mais: Nitrotracker (excelente para compor e tocar), Glitch DS (lindo e divertido), Protein Scratch (grava e reproduz na hora, uma coisa bacana pra inventar moda) e Blipracker (divertido pra animar as festinhas).

Todos estes aplicativos são em si um universo. Dá pra ficar muito tempo se dedicando a usá-los como instrumentos. Tenho muita música para montar ainda usando essas ferramentas. :)

Performance Meu Terrorismo de Bolso conta com um DS preso ao braço

MA: Encontrar os títulos musicais para o DS é fácil aqui no Brasil? O que dizer dos preços?

Mary Fê: Comprei os meus jogos musicais sempre de amigos ou em lojas especializadas. Aqui é sempre mais caro que lá fora. E por conta disso, a pirataria rola solta. Acredito que se os preços fossem menores, a galera compraria amarradona os jogos originais.

Pra quem quer usar mais seriamente os jogos para fazer música, que é o meu caso, não dá pra confiar em versão pirata, que pode te deixar na mão na hora do show, por exemplo, e você não tem a quem reclamar. Mas poder testar o jogo antes de comprar é uma peneira excelente. Antes de comprar o DS10, testei um pirata (q não salvava) e o Electroplankton. Acabei correndo atras dos cartões pra comprar.

MA: Na sua opinião, qual é o ponto forte dos apps musicais para o Nintendo-DS?

Mary Fê: Portabilidade, poder compor com fone de ouvido numa viagem mais longa, numa sala de espera, anotar uma ideia sem ter que pegar gravador e ligar computador. E o som característico do Nintendo DS é um charme.

O ElectronPlankton foi o primeiro app musical de Mary Fê para o DS

MA: Você já pensou em utilizar também iPhones e iPods Touch para a música?

Mary Fê: Tenho um iphone com aplicativos musicais Electrobeats, RJDJ, afinador de guitarra, mas uso o iPhone mais para filmar e transmitir vídeos ao vivo.

MA: Está chegando por aí o Nintendo 3DS. Que tal a possibilidade de se fazer música com apps com imagens tridimensionais?

Mary Fê: Imagino que venham jogos em que se possa mixar usando a espacialidade pra simular salas diferentes…

Aliás, estou curiosa para saber como será usado o som nesses joguinhos. Será que poderemos adaptar caixinhas de som pra simular um mini sistema de som 5.1, por exemplo? Olha que bacana: http://www.v2.nl/events/palm-top-theater.

[box type="info"]Para conhecer mais sobre o trabalho da Mary Fê:


One Comment

Leave A Response


nove + = 16